A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira (07/10/2024) que, embora o consumo global de tabaco tenha diminuído, cerca de 1 em cada 5 adultos continua dependente do produto, mantendo-o como uma das principais causas de morte evitável no mundo. O relatório aponta redução de 1,38 bilhão de usuários em 2000 para 1,2 bilhão em 2024, mas alerta para novos desafios relacionados a produtos de nicotina.
Segundo a OMS, a indústria do tabaco está introduzindo novos produtos de nicotina, incluindo cigarros eletrônicos, especialmente direcionados a jovens, exigindo que os governos adotem medidas mais firmes de controle e regulação.
Novos produtos de nicotina e impacto nos jovens
Cigarros eletrônicos e dependência precoce
Pela primeira vez, a OMS estimou que mais de 100 milhões de pessoas usam cigarros eletrônicos globalmente, incluindo 86 milhões de adultos e 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos. Em países com dados disponíveis, os jovens têm nove vezes mais probabilidade de usar cigarros eletrônicos do que adultos.
Etienne Krug, diretor do Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção da OMS, afirma que os dispositivos alimentam uma nova onda de dependência da nicotina, prendendo crianças e adolescentes ao vício desde cedo e ameaçando décadas de avanços no controle do tabagismo.
Redução do consumo e diferenças por gênero
Mulheres lideram a diminuição
O relatório indica que mulheres reduziram o consumo de tabaco mais rapidamente que os homens. A prevalência feminina caiu de 11% em 2010 para 6,6% em 2024, atingindo a meta global de redução de 30% cinco anos antes do previsto, em 2020. O número de usuárias caiu de 277 para 206 milhões.
Entre os homens, a queda foi mais lenta, de 41,4% para 32,5%, mantendo quase 1 bilhão de usuários, representando mais de 80% do total global. A OMS projeta que os homens atinjam a meta de redução apenas em 2031.
Diferenças regionais no consumo
Prevalência varia entre continentes
O Sudeste Asiático apresentou redução significativa entre homens, respondendo por mais da metade da queda global. Na África, a taxa é a menor do mundo (9,5%), mas o número absoluto de fumantes cresce com o aumento populacional.
Nas Américas, a prevalência caiu para 14%, enquanto na Europa permanece em 24,1%, com mulheres europeias liderando o consumo feminino global (17,4%). No Mediterrâneo Oriental, o uso ainda cresce em alguns países, e na região do Pacífico Ocidental, o progresso é mais lento, com 43,3% dos homens consumidores.
Desafios e ação governamental
Necessidade de medidas urgentes
O ritmo atual de queda não é suficiente para atingir a meta global de redução de 30% até 2025. A prevalência projetada é de 19,2%, acima do objetivo de 18,3%. Jeremy Farrar, diretor-geral adjunto da OMS, alerta que cerca de 20% dos adultos ainda usam produtos de tabaco ou nicotina, reforçando a necessidade de ações contínuas e firmes.
O relatório lembra que o tabaco é a maior causa evitável de câncer no mundo, pressionando os sistemas de saúde e aumentando desigualdades. A OMS destaca que o sucesso dependerá da capacidade dos governos de resistir à influência da indústria e proteger novas gerações.
*Com informações da ONU News.


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