Campanha Abril Verde alerta para alta de acidentes de trabalho na Bahia com mais de 10 mil casos em 2025

A campanha Abril Verde chama atenção, ao longo do mês, para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais entre trabalhadores na Bahia, diante de números que indicam impacto contínuo no estado. Entre janeiro e agosto de 2025, foram registrados 10.187 acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, com 63 óbitos, segundo dados recentes.

A média mensal no período foi de aproximadamente 1.390 ocorrências, evidenciando a dimensão do problema. Entidades sindicais apontam que o volume pode ser ainda maior devido à subnotificação, que, segundo estimativas, pode atingir até 85% dos casos não registrados oficialmente.

O cenário reforça a importância de ações preventivas e do cumprimento das normas de segurança no ambiente de trabalho.

Salvador concentra afastamentos por incapacidade laboral

Na capital baiana, o impacto também é expressivo. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho indicam que, entre 2012 e 2023, Salvador registrou 330.756 afastamentos por incapacidade relacionada ao trabalho.

O volume posiciona a cidade entre as que apresentam maior número de concessões de benefícios dessa natureza no país. Os dados refletem a necessidade de medidas estruturais voltadas à prevenção e ao acompanhamento da saúde do trabalhador.

Especialistas destacam que grande parte dos acidentes e doenças ocupacionais pode ser evitada com práticas básicas de segurança e organização no ambiente laboral.

Medidas preventivas incluem organização e uso de EPIs

De acordo com especialistas em saúde do trabalho, a prevenção passa por ações como mapeamento de riscos físicos, químicos e ergonômicos, além da adoção de medidas como proteções em máquinas, sinalização adequada e treinamentos periódicos.

Também são consideradas essenciais a disponibilização e fiscalização do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), pausas regulares e adequação ergonômica dos postos de trabalho.

Para os trabalhadores, recomenda-se o uso correto dos EPIs, o cumprimento dos protocolos operacionais, a comunicação de condições inseguras e a atenção a sinais de fadiga ou dor.

Lesões musculoesqueléticas e transtornos mentais estão entre os principais agravos

Entre os problemas mais frequentes estão as lesões por esforço repetitivo (LER) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), que afetam músculos, tendões e articulações.

Também são recorrentes casos de lombalgia, cervicalgia e tendinites, associados a posturas inadequadas e atividades repetitivas. Além disso, especialistas apontam a presença de transtornos mentais relacionados ao estresse ocupacional.

Acidentes envolvendo máquinas, quedas e transporte também figuram entre as principais ocorrências registradas.

Atuação multidisciplinar e responsabilidades legais

A abordagem dos casos envolve atuação multidisciplinar, com participação de profissionais como fisioterapeutas, que realizam avaliações funcionais e análise biomecânica para identificar limitações e possíveis vínculos com a atividade laboral.

No campo jurídico, a legislação brasileira estabelece que é responsabilidade das empresas garantir condições adequadas de segurança e saúde no trabalho. O descumprimento pode resultar em sanções administrativas, incluindo multas e interdição.

Em casos de acidente com comprovação de culpa do empregador, pode haver responsabilização civil, com possibilidade de indenização por danos morais e materiais ao trabalhador.


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