Brasil registra uma morte por acidente de trabalho a cada quatro horas, aponta levantamento do SmartLab

O Brasil contabiliza, em média, uma morte por acidente de trabalho a cada quatro horas, segundo levantamento do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), que analisou registros de vínculos formais em todo o território nacional. O dado reforça o alerta promovido pelo movimento Abril Verde, dedicado à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. A Bahia ocupa a 7ª posição no ranking nacional, com 17.264 ocorrências registradas.

Jovens são maioria entre as vítimas fatais

O levantamento aponta que os principais perfis das vítimas são homens entre 18 e 24 anos e mulheres entre 30 e 34 anos. A pesquisa destaca que muitas das ocorrências poderiam ser evitadas por meio da adoção de medidas preventivas, como o fornecimento e uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de ações permanentes de capacitação profissional.

A médica do trabalho e consultora em saúde ocupacional Ana Paula Teixeira observa que a prevenção deve ser tratada como parte essencial da rotina profissional: “É necessário refletir sobre a importância de práticas seguras, especialmente neste mês que marca o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, na segunda-feira (28/04/2025). A falta de conformidade com as normas legais expõe o trabalhador a riscos evitáveis”, afirmou.

A especialista também chama atenção para a subnotificação de casos que, embora não fatais, comprometem a saúde física e mental do trabalhador, podendo resultar em afastamentos prolongados e até aposentadoria precoce.

Acidentes não fatais também preocupam especialistas

Além da mortalidade, os acidentes laborais com sequelas são considerados problemáticos por consultores da área. De acordo com os dados do SmartLab, entre os profissionais mais atingidos estão técnicos de enfermagem, alimentadores de linha de produção e auxiliares de limpeza. As lesões mais comuns incluem fraturas, cortes, queimaduras e lacerações, afetando especialmente mãos, pés, dedos e joelhos – o que compromete o retorno às funções habituais e impacta diretamente a produtividade.

A médica Ana Paula Teixeira destaca que a responsabilidade deve ser compartilhada entre empregadores e trabalhadores: “Capacitação continuada, avaliação do estado físico e mental dos funcionários, investimentos em infraestrutura e respeito às normas trabalhistas são medidas fundamentais para redução de riscos”, explica.

Bahia registra mais de 17 mil acidentes em um ano

O estado da Bahia, de acordo com o SmartLab, contabilizou 17.264 acidentes de trabalho, o que o posiciona entre os dez estados com maior número de registros. A análise considera dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), entidades que coordenam o funcionamento da plataforma.

Estados com maior densidade urbana e concentração industrial tendem a registrar mais casos, mas os dados baianos chamam atenção pela frequência e pela diversidade de setores envolvidos. Além dos danos físicos, os acidentes laborais geram custos diretos ao sistema previdenciário e impactam a economia devido à perda de força de trabalho.

Recomendações para prevenção e melhoria da segurança

Para contribuir com a redução de acidentes no ambiente profissional, a especialista Ana Paula Teixeira destaca um conjunto de práticas fundamentais:

  • Investir na melhoria das condições de trabalho;

  • Promover capacitação técnica periódica dos colaboradores;

  • Incentivar ambientes saudáveis e organizados;

  • Monitorar o estado físico e psicológico dos trabalhadores;

  • Contratar consultorias especializadas para gestão de riscos;

  • Estabelecer metas realistas, sem sobrecarga de tarefas;

  • Garantir períodos adequados de descanso e intervalos legais.

Segundo a médica, o fortalecimento de uma cultura de prevenção é um passo estratégico para reduzir tanto as ocorrências graves quanto os danos permanentes à saúde dos trabalhadores, favorecendo relações laborais mais sustentáveis.


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