“Vermelho Melodrama” retorna a Salvador: Peça premiada terá temporada no Teatro Gregório de Mattos entre abril e maio de 2026

A peça “Vermelho Melodrama” volta a cartaz em Salvador após sete anos de sua estreia, com temporada programada de 10 de abril a 10 de maio de 2026, no Teatro Gregório de Mattos. O espetáculo terá 15 apresentações ao longo de cinco semanas, com sessões às sextas e sábados, às 19h, e aos domingos, às 18h.

Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com encenação e adaptação de Jorge Alencar, a montagem reúne no elenco Diogo Lopes Filho, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa e Vinicius Bustani.

A iniciativa inclui recursos de acessibilidade, com audiodescrição e tradução em Libras em cinco datas específicas: 12, 17 e 26 de abril e 1º e 10 de maio, ampliando o acesso do público ao espetáculo.

Proposta dramatúrgica e diálogo com o melodrama

O espetáculo parte do texto original “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, que explora a estrutura do melodrama como linguagem teatral. O gênero, consolidado no teatro francês no final do século XVIII, é caracterizado pela ênfase na emoção e na comunicação direta com o público.

Na montagem, o melodrama é utilizado como ferramenta para refletir sobre aspectos contemporâneos da sociedade, incluindo afetos, valores e construções subjetivas. A encenação propõe uma leitura atual do gênero, integrando diferentes referências culturais.

A dramaturgia dialoga com autores como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, ampliando o debate sobre emoção, política e direito ao afeto na contemporaneidade.

Contexto político e temática social

A nova temporada retoma discussões já presentes na estreia, em 2019, estabelecendo paralelos com o cenário atual. O espetáculo aborda questões sociopolíticas e polarizações, utilizando o melodrama como linguagem para tratar de tensões entre amor e conflito.

Segundo o diretor Jorge Alencar, a remontagem propõe questionamentos sobre as formas de expressão emocional na sociedade atual, incluindo reflexões sobre gênero, narrativa e representação.

A peça também levanta discussões sobre o papel das emoções em contextos políticos, destacando como elementos dramatúrgicos podem dialogar com a realidade social e cultural.

Enredo, premiações e produção

A narrativa central é inspirada no chamado “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011. A trama acompanha três órfãos — Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria — criados como irmãos, cuja história é marcada por segredos e revelações.

O eixo dramático é uma carta não entregue, que contém uma informação capaz de alterar o destino dos personagens. A obra explora a relação entre realidade e ficção, ampliando emoções e conflitos.

Premiado como Melhor Espetáculo no Prêmio Braskem de Teatro 2019, o trabalho recebeu cinco indicações e também venceu na Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana.

Estrutura técnica e realização

A montagem conta com assistência de direção de Larissa Lacerda e Marina Martinelli, colaboração artística de Ellen Mello e Jacyan Castilho e direção de arte do coletivo TANTO CRIA, formado por Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia.

A trilha sonora e direção musical são assinadas por Luciano Salvador Bahia, enquanto as canções são de Leo Fressato.

O projeto é realizado pela Dimenti Produções Culturais e foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e Prefeitura de Salvador.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading