O espetáculo “Vermelho Melodrama”, premiado como Melhor Espetáculo Adulto pelo Prêmio Braskem de Teatro 2019, retorna aos palcos de Salvador após sete anos. Com direção e adaptação de Jorge Alencar e texto do dramaturgo Gildon Oliveira, a peça terá 15 apresentações entre 10 de abril e 10 de maio de 2026, no Teatro Gregório de Mattos, sextas e sábados às 19h e domingos às 18h.
O espetáculo explora triângulos amorosos, segredos e paixões, situados em paralelo aos acontecimentos políticos do Brasil, colocando a dramaturgia em diálogo com questões afetivas, éticas e sociais. A narrativa central, inspirada no “crime do ketchup” de 2011, acompanha três órfãos criados como irmãos e revela como uma carta não entregue altera seus destinos, mesclando realidade e ficção em um melodrama contemporâneo.
Além das apresentações regulares, cinco sessões contarão com audiodescrição e tradução em Libras (12, 17 e 26 de abril; 1º e 10 de maio), ampliando o acesso ao público com deficiência visual e auditiva. O teatro também possui acessibilidade arquitetônica, reforçando o compromisso da produção com inclusão e participação de todos os espectadores.
Dramaturgia e referências
O texto original, intitulado “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, evidencia a arquitetura do melodrama, gênero dramático surgido na França do século XVIII e caracterizado pelo acesso direto à emocionalidade do público. A encenação estabelece diálogo com autores como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, abordando a emoção contemporânea e o direito ao afeto, além de refletir sobre polaridades políticas e sociais atuais.
A direção de Jorge Alencar enfatiza a relação do melodrama com plataformas contemporâneas, como televisão, cinema, literatura e redes sociais, questionando: “Como e a quem é dado o direito de melodramar por amor?” e “Quais aberturas textuais permitem a existência de outras vozes?”. A peça, com elenco formado por Diogo Lopes Filho, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa e Vinicius Bustani, revisita e atualiza o gênero para o contexto sociopolítico brasileiro de 2026.
O espetáculo recebeu também reconhecimento pelo figurino e adereços, premiados no Prêmio Braskem de Teatro 2019, assinados por Luiz Santana, e mantém uma linguagem estética que dialoga com a tradição melodramática e contemporânea.
Equipe e produção
A produção conta com assistência de direção de Larissa Lacerda e Marina Martinelli, colaboração artística de Ellen Mello e Jacyan Castilho, e direção de arte do coletivo TANTO CRIA – Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia. A trilha sonora e direção musical são de Luciano Salvador Bahia, enquanto o músico Leo Fressato assina canções executadas pelo projeto musical A Banda Mais Bonita da Cidade.
O projeto, realizado pela Dimenti Produções Culturais, foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e Prefeitura de Salvador, garantindo o retorno do espetáculo com ampla estrutura de produção, recursos de acessibilidade e programação contínua para público diverso.


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