Reforma tributária pressiona empresas: Baixa adoção de IBS e CBS expõe atraso e amplia risco operacional

A reforma tributária do consumo no Brasil entra em uma fase considerada crítica para o setor produtivo, com baixo nível de adoção dos novos tributos IBS e CBS e crescente pressão sobre empresas para atualização de sistemas fiscais. Dados apresentados por especialistas indicam que menos de 10% dos documentos fiscais emitidos no país já incluem os novos tributos, evidenciando atraso na adaptação ao novo modelo.

O tema foi debatido durante o 2º All Tax Summit, realizado em São Paulo, que reuniu representantes do setor público, empresas e especialistas em tecnologia. Segundo participantes, a complexidade operacional e tecnológica da reforma exige planejamento antecipado, sob risco de impactos no cumprimento das obrigações fiscais.

De acordo com o auditor fiscal Álvaro Bahia, da Secretaria da Fazenda da Bahia, a transformação em curso não se limita à legislação tributária.

Trata-se também de uma mudança tecnológica e financeira, com novos processos de arrecadação e mecanismos de controle”, afirmou.

Documentos fiscais ganham papel central no novo sistema

Com a implementação do novo modelo, os documentos fiscais eletrônicos passam a ser a base da apuração tributária, concentrando informações essenciais para cálculo e recolhimento de impostos. O sistema utilizará esses dados para viabilizar mecanismos como apuração assistida, split payment e créditos financeiros.

Na prática, isso significa que a qualidade e consistência das informações fiscais registradas pelas empresas terão impacto direto no valor dos tributos apurados. Erros de classificação ou inconsistências cadastrais podem comprometer todo o processo.

O Brasil já conta com uma infraestrutura consolidada de documentos fiscais eletrônicos, que conecta administrações tributárias e empresas em tempo real. Essa base digital será utilizada para sustentar o modelo de imposto sobre valor agregado previsto na reforma.

Empresas iniciam revisão de sistemas e processos internos

Diante desse cenário, empresas começam a revisar suas estruturas operacionais e tecnológicas. A adaptação envolve integração entre áreas fiscal, tecnológica, financeira e logística, além da revisão de cadastros e classificação de produtos e serviços.

Executivos e especialistas apontam que a reforma exige padronização de dados e maior controle sobre informações fiscais, tornando os sistemas corporativos mais dependentes da qualidade das bases de dados.

A necessidade de ajustes também atinge plataformas de gestão empresarial e softwares fiscais, que precisam ser atualizados para suportar as novas exigências do modelo tributário.

Novo modelo amplia desafios tecnológicos

A reforma tributária introduz um ambiente mais integrado entre sistemas fiscais, financeiros e de arrecadação, criando um novo desafio tecnológico para empresas e governos. Entre as mudanças está a adoção da apuração assistida, que automatiza parte do cálculo tributário com base nos dados declarados.

Especialistas em tecnologia fiscal apontam que o processo representa uma das maiores mudanças já enfrentadas pelas áreas tributárias corporativas, exigindo investimentos em tecnologia, governança de dados e integração de sistemas.

Nesse contexto, o foco das empresas deixa de ser apenas a interpretação da legislação e passa a incluir a estruturação de dados e a confiabilidade das informações fiscais.

Transição gradual exige planejamento de longo prazo

A reforma prevê a substituição progressiva de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelos novos impostos IBS e CBS, em um período de transição que se estende por aproximadamente uma década. Durante esse período, empresas terão que operar sob regimes simultâneos.

O modelo também introduz novas formas de arrecadação integradas aos meios de pagamento, aumentando a complexidade operacional. Especialistas destacam que o momento atual é estratégico para testes e ajustes nos sistemas.

A recomendação é que empresas iniciem imediatamente os processos de adaptação, evitando riscos operacionais futuros. A postergação das mudanças pode comprometer a conformidade fiscal e a continuidade das operações.


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