O espetáculo “Eu, Zuzu Angel, agora milito” estreia no dia 15 de abril de 2026 no Teatro Martim Gonçalves, em Salvador, no mês em que se completam 50 anos da morte da estilista brasileira Zuzu Angel, assassinada durante a Ditadura Militar. A montagem apresenta dramaturgia e direção de Sophia Colleti e conta com atuação de Vivianne Laert, Mano Leone e da própria diretora.
A temporada segue até 26 de abrik, com sessões às quintas e sextas às 19h, aos sábados às 16h e 19h e aos domingos às 16h. Os ingressos estão disponíveis por plataforma digital e na bilheteria do teatro.
A peça aborda temas como maternidade, política, memória, repressão e direitos humanos, articulando elementos de ficção, poesia e acontecimentos históricos ligados ao período da Ditadura Militar no Brasil.
Narrativa resgata trajetória de Zuzu Angel
O espetáculo reconstrói a trajetória de Zuzu Angel, estilista que utilizou a moda como forma de expressão política durante as décadas de 1960 e 1970. A narrativa destaca sua atuação após o desaparecimento do filho, Stuart Angel, em 1971.
Stuart, integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi preso, torturado e morto por agentes do Estado. A partir desse episódio, Zuzu iniciou uma mobilização pública em busca de informações e responsabilização.
A estilista morreu em 1976, em circunstâncias posteriormente reconhecidas como ação do regime. O caso foi oficialmente esclarecido em 1996, com base em investigações conduzidas pela Comissão Nacional da Verdade.
Linguagem cênica articula memória e estética
A montagem utiliza recursos de projeção audiovisual, iluminação e trilha sonora para construir diferentes planos narrativos. O espetáculo alterna registros biográficos e documentais com elementos ficcionais.
O elenco interpreta múltiplos personagens, permitindo a reconstrução de diferentes momentos da vida pessoal, artística e política de Zuzu Angel. A atriz Vivianne Laert assume o papel principal.
A dramaturgia também destaca episódios como o desfile-protesto realizado em Nova Iorque, em 1971, quando a estilista apresentou peças com referências à repressão política no Brasil.
Acessibilidade e mediação cultural
A programação inclui sessões mediadas com recursos de acessibilidade, previstas para sexta-feira (17/04/2026) e sexta-feira (24/04/2026), às 14h30. As apresentações são gratuitas para estudantes, professores da rede pública e pessoas com deficiência.
As sessões contarão com audiodescrição e interpretação em Libras, além de atividades de mediação cultural com debates após as apresentações.
A proposta busca ampliar o acesso ao conteúdo e promover discussões sobre democracia, memória e direitos civis entre diferentes públicos.
Processo de criação e incentivo cultural
O projeto teve início em 2017, no âmbito da Universidade Federal da Bahia, e passou por diferentes etapas de desenvolvimento, incluindo leitura online em 2021. Para a estreia em 2026, o texto foi revisado e atualizado.
A obra também terá publicação em formato de livro pela Alameda Editorial, com lançamento previsto para abril.
O espetáculo foi contemplado por edital da Fundação Gregório de Mattos, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, integrando políticas públicas de incentivo às artes cênicas.


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