A atuação de clubes jovens no Brasil tem ampliado o protagonismo de meninas e mulheres em temas como liderança, saúde, política e segurança digital, com impacto em espaços locais e internacionais. A pauta ganhou destaque durante a participação de representantes brasileiras na 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), realizada em Nova Iorque, ao longo do mês de março de 2026.
Durante o encontro, jovens ligadas à Girl Up promoveram debates sobre demandas femininas, com foco em dignidade menstrual, acesso a direitos e ampliação da participação em espaços de decisão. O evento integrou a agenda internacional do Mês da Mulher e reuniu lideranças de diferentes países.
A edição de 2026 foi orientada pelo tema “Justiça. Ação. Para todas as Mulheres e Meninas”, com discussões sobre igualdade de gênero, combate à violência e inclusão política de jovens mulheres.
Clubes locais ampliam participação e formação de lideranças
No Brasil, a atuação da Girl Up ocorre por meio de clubes formados por jovens, que desenvolvem ações voltadas à educação, mobilização social e formação política. Essas iniciativas buscam ampliar o acesso de meninas a espaços de fala e decisão.
Representante da organização, Lucília destacou que a ausência de escuta em espaços institucionais limita o avanço de pautas relacionadas à juventude feminina. Segundo ela, temas como saúde menstrual ainda enfrentam barreiras para alcançar visibilidade em políticas públicas.
A proposta dos clubes é fortalecer a autonomia das participantes, incentivando o engajamento em questões sociais desde o nível comunitário até instâncias mais amplas de representação.
Debate internacional destaca saúde menstrual e equidade
Durante a CSW, a delegação brasileira apresentou estratégias voltadas à promoção da saúde menstrual e redução de desigualdades enfrentadas por adolescentes. As ações incluem campanhas educativas e articulação com instituições parceiras.
A socióloga Munah Munek destacou a importância de garantir espaços de escuta para jovens, permitindo que demandas sejam apresentadas de forma direta. Segundo ela, a participação ativa contribui para a construção de políticas mais alinhadas às realidades locais.
As discussões também enfatizaram a necessidade de ampliar a presença feminina em posições de liderança, tanto em organizações sociais quanto em estruturas institucionais.
Segurança digital e legislação ampliam proteção
Outro eixo abordado foi a segurança digital de crianças e adolescentes, com destaque para a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, que passou a incorporar medidas voltadas ao ambiente online a partir de 17 de março de 2026.
A nova legislação, conhecida como ECA Digital, estabelece mecanismos para ampliar a proteção de jovens na internet, incluindo diretrizes sobre verificação de idade, controle parental e responsabilidade das plataformas.
Segundo especialistas, a medida exige atuação conjunta entre famílias, Estado e empresas de tecnologia para garantir a efetividade das normas e reduzir riscos associados ao ambiente digital.
Expansão global e articulação entre países
A Girl Up atua em diversos países, incluindo Estados Unidos, México, Chile, Argentina e Índia, com estratégias adaptadas às realidades locais. No Brasil, a organização mantém parcerias com instituições como o Instituto Alana, ampliando o alcance das ações.
Além da saúde, os clubes também atuam em temas como democracia, participação política, incentivo ao voto jovem e inclusão de meninas nas áreas de ciência e tecnologia.
A articulação internacional permite a troca de experiências entre jovens de diferentes regiões, fortalecendo redes de apoio e ampliando o alcance das iniciativas.
Ampliação da voz feminina em diferentes espaços
As participantes destacaram que o fortalecimento da liderança feminina depende da ampliação de espaços de escuta em todos os níveis, desde comunidades locais até instituições globais.
A atuação dos clubes busca garantir que meninas possam expressar suas demandas e participar de decisões que impactam suas vidas, promovendo autonomia, representatividade e acesso a direitos.
O avanço dessas iniciativas, aliado a mudanças legislativas e à articulação internacional, contribui para a construção de ambientes mais inclusivos e para o fortalecimento da participação feminina na sociedade.


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