Autoridades de saúde e especialistas reforçaram o alerta sobre o aumento de casos de esporotricose na Bahia, após o estado registrar 98 ocorrências em 2026 até o mês de março, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). Em 2025, foram contabilizados 951 casos da infecção em humanos, o que evidencia a circulação contínua da doença.
A esporotricose é uma infecção fúngica subcutânea causada pelo fungo Sporothrix schenckii, encontrado no solo, vegetais e matéria orgânica em decomposição. A transmissão ocorre quando o microrganismo penetra na pele por meio de cortes, arranhões ou ferimentos, podendo afetar humanos e animais.
Considerada uma zoonose, a doença exige atenção especial devido à facilidade de transmissão por gatos, principais vetores domésticos associados aos casos registrados no país.
Transmissão e grupos mais expostos
A infecção pode atingir qualquer pessoa, mas há maior incidência entre profissionais e indivíduos que lidam com solo, plantas ou animais, como jardineiros, agricultores, veterinários e tutores de pets.
Dados epidemiológicos indicam que, na Bahia, o perfil predominante dos pacientes diagnosticados apresenta maior incidência entre mulheres, representando cerca de 64% dos casos entre 2021 e 2026.
A transmissão por gatos ocorre principalmente por meio de arranhões, mordidas ou contato com secreções de lesões cutâneas, o que amplia o risco em ambientes domésticos.
Sintomas em humanos e animais
Nos humanos, a forma mais comum é a esporotricose cutânea, caracterizada pelo surgimento de nódulos indolores na pele, geralmente em mãos e braços.
A doença também pode evoluir para a forma cutânea linfática, com disseminação ao longo dos vasos linfáticos, além de manifestações mais graves, como a forma pulmonar e a forma disseminada, que podem causar tosse, dor no peito, febre, perda de peso e fraqueza.
Em gatos, os principais sinais incluem lesões ulceradas na pele, secreções e, em casos avançados, comprometimento respiratório, sendo esses animais importantes na cadeia de transmissão da doença.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico precoce é considerado essencial para evitar complicações. O tratamento padrão envolve o uso de antifúngicos orais por período prolongado, podendo incluir medicamentos específicos em casos mais graves.
A orientação médica e veterinária é fundamental tanto para humanos quanto para animais infectados, garantindo o controle da doença e reduzindo o risco de disseminação.
A ausência de tratamento adequado pode favorecer a progressão da infecção e aumentar o número de casos, especialmente em áreas com maior circulação do fungo.
Medidas de prevenção e controle
Entre as principais recomendações estão o uso de luvas ao manipular solo, plantas ou animais, além de evitar o contato com gatos que apresentem lesões cutâneas.
Também é indicado manter higiene adequada das lesões, buscar atendimento médico ao identificar sinais suspeitos e realizar acompanhamento veterinário regular dos animais.
A conscientização da população é apontada como fator estratégico para reduzir a incidência da doença, com foco na identificação precoce e na adoção de medidas preventivas no cotidiano.


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