O Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado na última quinta-feira (26/03/2026), reforça a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e dos avanços terapêuticos no enfrentamento da doença, que atinge cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, aproximadamente 2 milhões de pessoas convivem com a condição, conforme o Ministério da Saúde.
A epilepsia é caracterizada por alterações na atividade elétrica cerebral, que provocam crises recorrentes e podem impactar diferentes aspectos da vida do paciente.
De acordo com o neurocirurgião Arthur Rocha, do Instituto do Cérebro, a compreensão correta da doença é fundamental para reduzir preconceitos e ampliar o acesso ao tratamento.
Epilepsia é definida por crises recorrentes não provocadas
Segundo o especialista, a epilepsia ocorre quando há descargas elétricas excessivas e sincronizadas de neurônios, podendo gerar sintomas variados conforme a área cerebral afetada.
Essas manifestações podem incluir alterações motoras, sensoriais ou comportamentais, dependendo da forma como a atividade elétrica se propaga no cérebro.
O diagnóstico é estabelecido quando o paciente apresenta duas ou mais crises não provocadas em intervalo superior a 24 horas, exigindo acompanhamento médico especializado.
Convulsão não caracteriza, isoladamente, epilepsia
Um dos pontos destacados é a diferença entre convulsão e epilepsia, frequentemente confundidas pela população.
A convulsão é uma manifestação clínica que pode ocorrer de forma isolada e ser causada por fatores externos, como traumatismos, tumores ou alterações metabólicas.
Já a epilepsia é uma condição neurológica definida pela recorrência das crises, o que demanda avaliação contínua e tratamento específico.
Avanços ampliam tratamento e indicam cirurgia em casos específicos
Embora grande parte dos pacientes responda ao uso de medicamentos, cerca de 30% apresentam epilepsia de difícil controle, segundo a Liga Brasileira de Epilepsia.
Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada, especialmente quando a origem das crises está bem localizada no cérebro.
De acordo com o especialista, os avanços tecnológicos tornaram os procedimentos mais precisos e seguros, ampliando as possibilidades terapêuticas.
Cirurgia já é oferecida pelo SUS em centros especializados
O acesso ao tratamento cirúrgico tem sido ampliado no país, com procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde em centros especializados.
A oferta desse tipo de intervenção representa uma alternativa para pacientes que não respondem ao tratamento medicamentoso.
A ampliação do acesso contribui para a melhoria da qualidade de vida e redução das crises, impactando diretamente o cotidiano dos pacientes.
Acompanhamento multidisciplinar reduz impactos da doença
Além das terapias disponíveis, o acompanhamento multidisciplinar é considerado essencial para o controle da epilepsia.
Sem tratamento adequado, a condição pode estar associada a riscos de acidentes, dificuldades escolares e afastamento do trabalho, conforme dados do Ministério da Saúde.
Especialistas destacam que a informação e o diagnóstico correto são fundamentais para combater o estigma e ampliar o acesso aos cuidados.


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