Na segunda-feira (16/03/2026), a Câmara Municipal de Salvador realizou sessão da Tribuna Popular em que a violência contra mulheres evangélicas e a contaminação da praia de São Tomé de Paripe dominaram o debate. A mesa diretora, inicialmente presidida pelo vereador Ricardo Almeida (DC), foi conduzida por parlamentares da classe feminina: Cris Correia (PSDB), presidente; Marta Rodrigues (PT), primeira secretária; e Débora Santana (PDT), segunda secretária.
Durante a sessão, a missionária da Igreja Batista Nazareth, Dagmar Santos, apresentou levantamento de 2022 da Associação de Mulheres Evangélicas, indicando que 42% da classe sofreu algum tipo de violência, incluindo feminicídio, dentro das igrejas. Ela destacou que o número pode ser maior e solicitou apoio da Câmara e do poder público para o segmento.
Dagmar ressaltou a importância da primeira Caminhada das Mulheres Evangélicas Contra o Feminicídio, ocorrida em Salvador no último dia 7, e conclamou a atuação da bancada evangélica da Casa Legislativa para proteger a comunidade de abusos e silenciamentos institucionais.
Projetos e ações de proteção
A vereadora Débora Santana apoiou o movimento, mas alertou para a necessidade de não generalizar a violência dentro das igrejas, destacando que existem pessoas sérias no meio religioso. Ela citou o Projeto “Despertar Sara”, de sua autoria, que oferece acolhimento e apoio às mulheres cristãs vítimas de violência.
Santana relatou experiência pessoal como vítima de violência e reforçou a importância de salas de escuta em ambientes religiosos, em parceria com a Prefeitura e a Casa da Mulher Brasileira, para atendimento especializado das vítimas.
A vereadora Marta Rodrigues, participante da primeira Marcha das Evangélicas Contra a Violência e o Feminicídio, ressaltou que a iniciativa evidenciou como o crime de feminicídio fere a fé das mulheres evangélicas, enfatizando que 42% delas relatam ter sofrido violência.
Apoio político e representação feminina
O vereador Hamilton Assis (PSOL) destacou a representatividade feminina na sessão, enfatizando que a violência contra mulheres não pode ser normalizada. Ele reforçou a importância do debate público sobre os direitos das mulheres e o combate a práticas de opressão no contexto religioso.
A sessão também abordou questões ambientais, com relatos da comunidade de São Tomé de Paripe, atingida por poluição marítima. Daniela Costa, do Instituto Baiano de Defesa dos Direitos Sociais, relatou a morte de crustáceos, peixes e tartarugas causada por empresa cuja atividade foi interditada pelo Inema, afetando a principal fonte de renda da população local.
A representante pediu intervenção do poder público e reparação dos danos, garantindo condições dignas de vida e saúde para a comunidade afetada.
Demandas por reparação ambiental
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) destacou a dívida histórica com a comunidade de São Tomé de Paripe e a necessidade de superar divergências ideológicas para promover a reparação ambiental e social, ponto reiterado por Cris Correia durante a sessão.
O debate evidenciou a necessidade de ação integrada entre poder público, sociedade civil e parlamentares para enfrentar tanto a violência contra mulheres evangélicas quanto os impactos ambientais que afetam comunidades vulneráveis.
A sessão reforçou o papel da Tribuna Popular como espaço de denúncia, visibilidade e proposição de políticas públicas voltadas à proteção de mulheres e à preservação ambiental em Salvador.


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