ONU alerta para risco de extinção em massa e destaca ações globais que ajudam a salvar espécies ameaçadas

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alertou para a redução das populações de plantas, animais e insetos, fenômeno que aumenta o risco de o planeta enfrentar uma sexta extinção em massa. Segundo a organização, cerca de 1 milhão das 8 milhões de espécies existentes no mundo estão ameaçadas de extinção.

A informação integra análises divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre biodiversidade e conservação ambiental. O levantamento aponta que a perda de espécies pode afetar diretamente ecossistemas naturais e atividades humanas dependentes da biodiversidade.

De acordo com o Pnuma, diversas iniciativas internacionais buscam ampliar a restauração de habitats naturais, com o objetivo de preservar espécies e recuperar áreas degradadas.

Investimentos em restauração de ecossistemas

A conservação da biodiversidade é considerada essencial para o bem-estar humano, incluindo a oferta de alimentos, água potável e proteção contra desastres naturais e doenças.

No âmbito da Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, projetos estão em andamento para recuperar ecossistemas terrestres e marinhos, incluindo áreas de montanhas, manguezais e florestas.

Essas iniciativas buscam recuperar habitats degradados e ampliar a capacidade dos ambientes naturais de sustentar espécies ameaçadas.

Recuperação da Mata Atlântica ajuda a proteger onças-pintadas

Entre os exemplos citados pela ONU está o trabalho de restauração ambiental na Mata Atlântica brasileira, bioma que se estendia originalmente ao longo da costa do Brasil e alcançava Paraguai e Argentina.

Estudos indicam que mais de 80% desse ecossistema foi degradado por atividades como agricultura, exploração madeireira e projetos de infraestrutura.

As ações de recuperação incluem regeneração florestal em áreas abandonadas e criação de corredores ecológicos, que permitem a circulação de espécies entre áreas protegidas.

População de onças cresceu após ações de conservação

As estratégias de conservação têm contribuído para proteger espécies como a onça-pintada, predador presente em áreas da Mata Atlântica.

Na região do Alto Paraná, que abrange territórios do Brasil, Argentina e Paraguai, ações de redução do desmatamento e restauração ambiental favoreceram o aumento da população da espécie.

Entre 2005 e 2018, o número de onças-pintadas na região cresceu cerca de 160%, chegando a 105 animais, embora estimativas posteriores indiquem redução para aproximadamente 84 indivíduos.

Proteção de habitats marinhos busca preservar dugongos

Outro exemplo citado pelo Pnuma envolve o dugongo, mamífero marinho herbívoro que habita regiões costeiras.

A espécie sofreu redução populacional devido a fatores como caça, captura acidental em equipamentos de pesca e perda de áreas de alimentação formadas por ervas marinhas.

Programas de conservação têm sido implementados em regiões como Austrália, Moçambique e países do Golfo Árabe.

Projetos ambientais no Golfo buscam recuperar ecossistemas

Nos Emirados Árabes Unidos, iniciativas ambientais pretendem restaurar 19,5 mil hectares de manguezais, recifes de coral e prados marinhos até 2030.

O objetivo é fortalecer habitats naturais e apoiar a recuperação da população de dugongos do Golfo, estimada atualmente em cerca de 5 mil animais.

Essas ações integram programas internacionais de restauração de ecossistemas costeiros.

Proteção de gorilas apresenta resultados na África Central

Na África Central, iniciativas de conservação também apresentam resultados na preservação dos gorilas-da-montanha.

Atualmente, existem cerca de 1 mil indivíduos na natureza, número superior ao registrado na década de 1980.

Parte significativa dessa população vive no Maciço Virunga, região que se estende pelas fronteiras de Uganda, Ruanda e República Democrática do Congo.

Espécies continuam enfrentando ameaças ambientais

Apesar da recuperação gradual, os gorilas continuam expostos a ameaças como perda de habitat, caça ilegal, doenças e impactos das mudanças climáticas.

Segundo especialistas, programas de proteção associados ao turismo sustentável têm contribuído para financiar ações de conservação.

Ainda assim, a espécie permanece classificada como ameaçada de extinção.

Esforços de conservação recuperam população de serpentes em Antígua

Iniciativas de restauração ambiental também foram aplicadas em Antígua e Barbuda, no Caribe.

A serpente antígua, espécie nativa do arquipélago, teve sua população reduzida após a introdução de mangustos no final do século XIX, utilizados para controle de ratos.

Os mangustos passaram a predar as serpentes, provocando forte redução da população da espécie.

Remoção de espécies invasoras ajudou recuperação da fauna

Em 1995, restavam apenas cerca de 50 indivíduos da serpente antígua.

Programas de conservação removeram predadores invasores e restauraram habitats naturais, permitindo a recuperação da população.

Atualmente, estimativas indicam que a espécie conta com mais de 1,1 mil indivíduos, resultado atribuído às medidas de proteção ambiental.

*Com informações da ONU News.


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