A trajetória da empreendedora Michele Farran tem ganhado destaque no debate sobre cannabis medicinal no Brasil, ao unir experiência pessoal com atuação empresarial e participação em discussões sobre acesso terapêutico e regulamentação do setor. Diagnosticada com artrite reumatoide aos 22 anos, Michele passou a conviver com dores crônicas e limitações físicas, experiência que a levou a buscar alternativas terapêuticas após tentativas com tratamentos convencionais.
Com o tempo, a empresária conheceu o canabidiol como opção terapêutica, utilizado com prescrição médica em diferentes condições de saúde. Segundo ela, a introdução do tratamento contribuiu para redução das dores e melhora da mobilidade, o que marcou uma mudança na forma de lidar com a doença.
A experiência pessoal despertou o interesse em compreender os obstáculos enfrentados por pacientes que buscam acesso à cannabis medicinal, incluindo questões relacionadas à burocracia, regulamentação e informação sobre o uso terapêutico da substância.
Experiência pessoal impulsiona iniciativa empresarial
A partir dessa vivência, Michele passou a se envolver diretamente no setor e participou da criação da Cannabis Company, localizada em Curitiba (PR). A empresa atua como farmácia especializada em cannabis medicinal, oferecendo produtos regulamentados e orientação voltada a pacientes que possuem prescrição médica para tratamento com canabinoides.
Segundo a empresária, a proposta do empreendimento é facilitar o acesso a informações qualificadas e ampliar a disponibilidade de tratamentos regulamentados, dentro das normas sanitárias brasileiras.
Além da comercialização de produtos, o espaço também atua na orientação de pacientes sobre uso terapêutico da cannabis, contribuindo para disseminação de informações sobre tratamentos com base científica.
Regulamentação da cannabis medicinal no Brasil
O debate sobre cannabis medicinal no Brasil tem avançado nos últimos anos, especialmente em relação à regulamentação da produção, importação e comercialização de produtos derivados de canabinoides.
De acordo com Michele Farran, mudanças regulatórias recentes contribuíram para ampliar o debate sobre segurança sanitária, pesquisa científica e acesso terapêutico.
Com a atualização de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2026, o setor passou a contar com regras mais detalhadas para cultivo, produção e comercialização, o que pode ampliar a oferta de produtos nacionais e reduzir a dependência de importações.
Atuação em debates sobre acesso e políticas públicas
Atualmente, aos 37 anos, Michele Farran também participa de discussões sobre políticas públicas, regulamentação e acesso à cannabis medicinal no país. Segundo ela, a consolidação do setor depende de avanços em três frentes principais: segurança jurídica, controle sanitário e ampliação do acesso aos pacientes.
A empresária acompanha debates legislativos e iniciativas relacionadas ao tema, que envolvem pesquisa científica, desenvolvimento de produtos e regulamentação do mercado terapêutico de canabinoides.
No Brasil, o uso medicinal da cannabis é permitido sob regras específicas, geralmente mediante prescrição médica e autorização sanitária, e ainda enfrenta desafios relacionados à disponibilidade de produtos e custos de tratamento.
Formação acadêmica e trajetória profissional
Michele Farran possui formação em Cinema, Design de Moda e Design Gráfico e também fundou a Agência de Design Cidadã, voltada ao desenvolvimento de projetos criativos e comunicação.
Segundo a empresária, a experiência profissional nas áreas criativas contribuiu para a forma como conduz iniciativas no setor de saúde, especialmente na produção de informação acessível e no diálogo com pacientes.
Além da artrite reumatoide, Michele relata conviver com condições autoimunes e neurodivergência, fatores que influenciaram sua perspectiva sobre acessibilidade, saúde e políticas de cuidado.
Debate sobre cannabis medicinal e acesso a tratamentos
A trajetória da empreendedora ocorre em um momento de expansão do debate público sobre o uso medicinal da cannabis no Brasil, com aumento da discussão sobre regulamentação, pesquisa e políticas de acesso.
Pacientes, profissionais de saúde, pesquisadores e legisladores têm discutido modelos de regulação, produção nacional e estratégias para ampliar o acesso ao tratamento dentro dos parâmetros legais e sanitários.
Para Michele Farran, a experiência pessoal com doenças crônicas contribuiu para ampliar sua atuação no tema. Segundo ela, o objetivo é contribuir para que pacientes encontrem informação, acompanhamento médico e acesso regulamentado a terapias baseadas em canabinoides.


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