A estética das periferias brasileiras atua como marcador de pertencimento e identificação, segundo a consultora de imagem Cáren Cruz, especialista em colorimetria, relações públicas e investida do programa Shark Tank Brasil. Elementos como cabelo “na régua”, marquinhas, chinelos de dedo, óculos estilo Juliet e cores vivas representam símbolos de origem e repertório cultural, consolidando uma linguagem visual própria que atravessa fronteiras e conquista espaço no mainstream.
Para Cáren, esses códigos não são apenas escolhas estéticas, mas sinais sociais e culturais que comunicam alinhamento simbólico, origem e referências periféricas historicamente marginalizadas.
“Esses signos evocam o cotidiano das periferias e reforçam o pertencimento de um público que sempre se viu à margem de representações institucionais”, afirma a consultora.
A especialista explica que a consolidação dessa estética decorre de um processo histórico de disputa narrativa e representação. Signos antes estigmatizados foram transformados em símbolos de orgulho, reforçados pela indústria audiovisual, que incorporou elementos visuais periféricos em clipes, filmes e produções culturais.
Formação e influência da estética periférica
Desde a década de 1950, com produções como Rio 40 Graus (1955), até movimentos culturais como Movimento Black Rio, funk carioca e passinho, os códigos visuais das periferias vêm circulando e se adaptando a novos contextos. Essa estética combina improviso, criatividade e adaptação, funcionando como afirmação, performance e estratégia cultural, segundo Cáren Cruz.
O fenômeno também foi debatido teoricamente por estudiosos como o sociólogo Stuart Hall, que abordou identidade cultural na pós-modernidade. Ao migrar para espaços mainstream, os elementos visuais das periferias mantêm sua origem, mas ganham camadas adicionais de significado, tornando-se referência estética e cultural nacional.
Apesar da valorização, a especialista alerta para riscos de esvaziamento ou romantização social. Quando a moda periférica é absorvida pelo mercado sem considerar vulnerabilidades históricas e ausência de políticas públicas, há o perigo de transformar precariedade em estética, distorcendo a realidade das comunidades.
Sobre a consultora Cáren Cruz
Cáren Cruz é comunicóloga com especialização em Relações Públicas, Marketing e MBA em Gerenciamento de Projetos e Políticas Públicas. Atua como palestrante, mentora e consultora de imagem identitária, com foco em pele negra. Recentemente, recebeu investimento no Shark Tank Brasil para o App Pittaco e Pittaco Academy, produtos digitais que utilizam tecnologia e IA para redefinir estereótipos, tornando-se a segunda baiana negra a conquistar aporte no programa.


Deixe um comentário