A cirurgia robótica tem se consolidado como avanço relevante no tratamento da endometriose, doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e ainda é marcada pelo diagnóstico tardio. No contexto do Março Amarelo, mês de conscientização sobre a doença, especialistas destacam os benefícios da técnica em casos moderados e graves, quando a enfermidade compromete órgãos profundos da pelve.
Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 10% das mulheres em idade fértil apresentam endometriose, o que representa cerca de sete milhões de brasileiras. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta que o intervalo entre início dos sintomas e diagnóstico pode ultrapassar sete anos, aumentando a incidência de dor crônica, infertilidade e impactos na qualidade de vida.
O cirurgião Marcos Travessa, coordenador do Núcleo de Cirurgia Ginecológica do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), ressalta que a robótica permite maior precisão e controle, preservando estruturas importantes como intestino, bexiga, ureteres e nervos.
“A cirurgia robótica oferece visão tridimensional, movimentos delicados e redução de riscos em casos complexos”, afirma Travessa.
Mais precisão e menos agressão cirúrgica
Diferentemente da laparoscopia convencional, o sistema robótico utiliza instrumentos articulados que ampliam os movimentos da mão humana, eliminam tremores e melhoram a ergonomia do cirurgião. Esse recurso contribui para procedimentos mais seguros e precisos, especialmente em intervenções extensas e profundas.
Para a ginecologista Gabrielli Tigre, membro do IBCR, a técnica também proporciona benefícios diretos à paciente, como menos sangramento, menor dor pós-operatória, redução do tempo de internação e retorno mais rápido às atividades diárias. Esses fatores são relevantes para mulheres que convivem há anos com dor e limitações funcionais.
Estudos nacionais e internacionais indicam que a abordagem robótica pode aumentar a taxa de ressecção completa das lesões, fator diretamente associado ao controle da dor e à redução do risco de recidiva da doença.
Expansão da tecnologia robótica no Brasil
Dados da Strattner, fornecedora de tecnologia robótica, apontam que o Brasil possui mais de 100 robôs cirúrgicos instalados, com crescimento significativo em procedimentos ginecológicos nos últimos anos. A ginecologia figura entre as especialidades que mais incorporaram a robótica, junto à urologia e cirurgia geral.
Esse avanço é relevante para o tratamento da endometriose, que demanda equipes especializadas e tecnologia capaz de abordar múltiplos focos da doença em uma única intervenção. A cirurgia robótica aumenta a segurança e a eficiência dos procedimentos complexos, contribuindo para melhores resultados clínicos.
Março Amarelo e conscientização
Especialistas reforçam que a cirurgia não é o primeiro passo no tratamento da endometriose. Segundo Marcos Travessa, a abordagem deve ser individualizada, com tratamento clínico, medicamentoso e cirúrgico quando indicado.
“É essencial que a mulher não normalize a dor e busque avaliação especializada”, afirma.
No Março Amarelo, a recomendação é ampliar o acesso à informação, reduzir o tempo até o diagnóstico e garantir que pacientes tenham opções terapêuticas adequadas. A cirurgia robótica, quando indicada corretamente, surge como aliada estratégica, consolidando-se como recurso presente na saúde da mulher no Brasil.


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