Março Amarelo: Cirurgia robótica transforma o tratamento da endometriose e amplia acesso a procedimentos minimamente invasivos

A endometriose afeta cerca de sete milhões de brasileiras, segundo dados do Ministério da Saúde, podendo causar dores incapacitantes, infertilidade e impactos na rotina das mulheres. A cirurgia robótica tem se consolidado como uma das opções mais eficazes para o tratamento da doença, proporcionando maior precisão na remoção das lesões e recuperação mais rápida.

A cirurgia robótica foi introduzida na medicina na década de 1980, ganhando destaque nos anos 2000 com a popularização do Sistema Da Vinci, aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) em 2000. No Brasil, a primeira cirurgia robótica ocorreu em 2008. Na Bahia, o primeiro procedimento utilizando essa tecnologia aconteceu sâbadp (23/03/2019). Atualmente, a técnica é amplamente utilizada em diversas especialidades, incluindo a ginecologia.

Diferente da laparoscopia tradicional, a cirurgia robótica oferece visão tridimensional ampliada e maior precisão para o cirurgião, que opera os instrumentos remotamente por meio de um console. “A plataforma robótica viabiliza intervenções cirúrgicas complexas com maior segurança, proporcionando menos morbidade para as pacientes, que, em geral, recebem alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento“, explica o cirurgião Marcos Travessa, coordenador do Núcleo de Ginecologia do IBCR e do Centro de Endometriose da Bahia.

O procedimento também minimiza sangramentos, reduz dor pós-operatória e preserva órgãos reprodutivos, sendo uma opção valiosa para mulheres que desejam engravidar no futuro. “A precisão dos movimentos e a estabilidade da imagem proporcionadas pela cirurgia robótica resultam em menos dor pós-operatória e um retorno mais rápido às atividades diárias“, destaca a cirurgiã ginecológica Gabrielli Tigre, integrante do Núcleo de Ginecologia do IBCR.

Superação e impactos na qualidade de vida

A pedagoga Ingrid Gomes (30/03) conviveu com os sintomas da endometriose por quase uma década. Dores incapacitantes, afastamentos do trabalho e impactos na vida pessoal faziam parte da sua rotina. Após anos de tratamentos convencionais, ela encontrou na cirurgia robótica uma solução definitiva para o problema.

“A cirurgia robótica foi um alívio, pois me proporcionou qualidade de vida. Louvo a Deus pela oportunidade de ter feito essa cirurgia e pela equipe médica. Fui muito bem acolhida, me senti segura o tempo todo e estava em ótimas mãos. Minha recuperação foi tranquila“, relata Ingrid. Hoje, com mudanças na alimentação e a retomada da atividade física, ela celebra o fim das dores e mantém o sonho de ser mãe.

Como funciona a cirurgia robótica?

Durante o procedimento, o cirurgião controla remotamente braços robóticos equipados com instrumentos cirúrgicos de alta precisão. A câmera utilizada no sistema oferece visão tridimensional em alta definição, permitindo a identificação detalhada das lesões endometrióticas.

A tecnologia, regulamentada no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e amplamente utilizada em centros de referência mundial, tem se consolidado como um dos métodos mais seguros e eficazes para o tratamento cirúrgico da endometriose. Em Salvador, a tecnologia robótica está disponível em quatro grandes hospitais.

Pesquisa e inovação

Com o objetivo de ampliar os estudos sobre a endometriose e aprimorar o uso da cirurgia robótica, o IBCR mantém um departamento dedicado a pesquisas científicas na área.

“Como pesquisadora e membro do IBCR, estou desenvolvendo com o doutor Marcos Travessa pesquisas científicas sobre a endometriose e a aplicação da cirurgia robótica no tratamento multidisciplinar dessa patologia. Buscamos analisar casos clínicos-cirúrgicos, avanços e impactos da doença na vida das mulheres”, conta a acadêmica de medicina e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), Aline Moerbeck.

O IBCR é uma das principais referências nacionais no uso dessa tecnologia. Seus especialistas já realizaram mais de duas mil cirurgias robóticas na Bahia, contribuindo para a modernização da medicina e o acesso a tratamentos avançados.


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