A Prefeitura de Salvador realizou, terça-feira (24/02/2026), reunião com representantes do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe para debater modelos de negócios e gestão do Teleférico do Subúrbio, sistema de transporte que ligará bairros da capital ao metrô em um percurso de 4,3 quilômetros com quatro estações. O encontro integra as etapas preliminares do projeto Salvador Inclusiva, voltado à ampliação da mobilidade urbana.
A reunião ocorreu no auditório da Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador e contou com a participação de equipes técnicas do CAF e de órgãos municipais responsáveis por planejamento, obras e finanças.
Estiveram presentes representantes da Casa Civil de Salvador, da Superintendência de Obras Públicas, da Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador e da Fundação Mário Leal Ferreira, responsável pela elaboração técnica do projeto.
Estudos de gestão e estrutura operacional
De acordo com o secretário de Mobilidade, Pablo Souza, a reunião representa uma fase estratégica para definir o formato de operação do modal. Segundo ele, além do financiamento, o processo envolve transferência de práticas técnicas e análises especializadas oferecidas pela instituição financeira.
O gestor informou que a estruturação do modelo considera aspectos sociais, ambientais e econômicos, com foco na viabilidade de longo prazo do serviço. Estudos preliminares analisam demanda, custos operacionais e impactos no território atendido.
A complexidade do projeto inclui diagnósticos ambientais e sociais conduzidos sob coordenação da fundação municipal, com o objetivo de orientar decisões sobre implantação e funcionamento do sistema.
Cronograma, investimento e capacidade
O secretário da Casa Civil, Luiz Carreira, afirmou que o cronograma segue dentro do planejamento estabelecido, com etapas técnicas em andamento.
Para a construção do teleférico, está previsto investimento de US$ 100 milhões, equivalente a cerca de R$ 520 milhões, com prazo estimado de três anos para execução das obras. O equipamento contará com 110 cabines sustentadas por 27 torres.
A capacidade projetada é de até 23 mil passageiros por dia, com operação diária e integração tarifária ao sistema municipal de transporte público.
Trajeto, bairros atendidos e integração
O teleférico terá estações em Campinas de Pirajá, ao lado do metrô, no centro de Pirajá, no Rio Sena, área do projeto Mané Dendê, e em Praia Grande. O objetivo é reduzir o tempo de deslocamento entre áreas elevadas do Subúrbio e a rede metroviária.
Moradores de bairros como Alto da Terezinha e Plataforma atualmente levam entre uma hora e uma hora e meia para acessar a estação de metrô mais próxima. Com o novo modal, a estimativa é de trajeto em aproximadamente 18 minutos.
O modelo foi inspirado em experiências internacionais, como os teleféricos urbanos implantados em La Paz e Medellín, utilizados para conectar regiões de relevo acidentado ao transporte de massa.
Programa Salvador Inclusiva e ações complementares
O acordo firmado entre o município e o CAF inclui, além do teleférico, investimentos em mobilidade urbana, inovação tecnológica e qualificação profissional pelos próximos cinco anos.
Entre as iniciativas estão programas de capacitação, como Treinar Para Empregar, Salvador Tech, Salvador Criativa e Geração SSA, que já registraram mais de 60 mil pessoas formadas na primeira etapa. A meta é qualificar 100 mil profissionais para o mercado de trabalho.
Segundo a prefeitura, as ações integram uma estratégia de desenvolvimento urbano associada à melhoria do acesso ao transporte e à geração de oportunidades econômicas.


Deixe um comentário