A escritora baiana Amanda Julieta lança, no sábado (28/02/2026), às 14h, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, o livro de contos “Monstruosa”. A obra será distribuída gratuitamente para os 100 primeiros exemplares. O lançamento contará com leituras de trechos feitas por artistas e atrizes, incluindo as poetas Bruna Silva e Louise Queiroz, com mediação da professora Fernanda Miranda (UFBA).
O livro apresenta protagonistas mulheres negras, lésbicas ou bissexuais, cujas histórias transitam entre experiências íntimas e coletivas. As narrativas abordam violência estrutural, cuidado, desejo, luto e reinvenção, revelando estratégias de sobrevivência em contextos marcados pelo racismo, lesbofobia, violência policial e precarização da vida.
Entre os contos, destacam-se relatos de adolescentes descobrindo sua sexualidade, mulheres enfrentando desafios cotidianos para garantir segurança e afetos, e casais buscando sentido nas relações amorosas, compondo um mosaico narrativo que oscila entre o pessoal e o social.
Um título que provoca deslocamentos
O título “Monstruosa” simboliza um gesto de enfrentamento, questionando estigmas históricos sobre mulheres que amam mulheres. A obra, publicada pela ParaLeLo13S, traz orelhas de Natália Borges Polesso e terá novos lançamentos em março, com distribuição gratuita de exemplares.
Para Amanda Julieta, o livro busca provocar deslocamentos na percepção social: “O que há de monstruoso em uma mulher que só quer chegar em casa em segurança e jantar com a companheira e o filho na noite de Natal?” A escritora defende a visibilidade de formas de vida que desafiam normas tradicionais.
A narrativa do livro não segue linearidade clássica, sendo organizada em fragmentos que dialogam por ressonância, permitindo ao leitor construir conexões entre os contos e refletir sobre modos de existir marcados por rupturas e recomposições constantes.
Entre o real e a fabulação
As histórias transitam entre realidade e ficção, aproximando o leitor de experiências literárias com peso social. Amanda Julieta explica que algumas narrativas são inspiradas em acontecimentos reais, como o conto “Chocolates”, derivado de relatos de abordagens policiais.
O livro também enfatiza esperança e reinvenção coletiva, destacando alianças entre mulheres, redes de cuidado, memória e criação de novas linguagens afetivas como estratégias de sobrevivência e resistência.
Ao final da leitura, a autora espera que o público compreenda o amor entre mulheres como força política, ética e vital, não apenas como ideal romântico, mas como tecnologia de sobrevivência e imaginação de futuro.


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