No período do carnaval, a ampliação dos circuitos da festa para os bairros de Paripe e Periperi resultou em maior geração de resíduos sólidos, como latas de alumínio, garrafas PET, plásticos, papelão e vidro. Para organizar a coleta e converter o material em renda para trabalhadores informais, cooperativas de catadores iniciaram a operação de um programa estruturado de reciclagem, integrado ao projeto Carnaval Solidário Salvador, com apoio do Governo do Estado da Bahia.
A iniciativa é conduzida por cooperativas como a Cooperguary e pela CAMA, integrantes do Fórum Estadual Lixo e Cidadania da Bahia. O modelo prevê coleta seletiva organizada, pagamento direto aos catadores, fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e estrutura logística nos pontos de concentração de público.
A meta para este ano é recolher mais de 15 toneladas de recicláveis ao longo do carnaval, com benefício direto a mais de 550 trabalhadores. A estimativa é que a ação movimente mais de R$ 1 milhão na economia local, por meio da comercialização do material.
Modelo de economia circular
O projeto adota a lógica da economia circular inclusiva, em que resíduos retornam à cadeia produtiva como matéria-prima. O objetivo é reduzir o volume de lixo destinado a aterros e evitar descarte irregular, especialmente em áreas costeiras e vias públicas.
Além do impacto ambiental, o programa busca formalizar o trabalho dos catadores, padronizando vestuário, oferecendo condições seguras de coleta e garantindo valores de mercado pelo material recolhido.
A organização também atua para reduzir a atuação de atravessadores, que compram resíduos a preços inferiores, diminuindo o rendimento dos trabalhadores.
Geração de renda em Paripe
No bairro de Paripe, a estruturação da coleta possibilitou aumento imediato da renda diária dos catadores. A operação conta com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia, que integra a localidade à rota oficial de reciclagem.
A unidade local da Cooperguary realiza a triagem de materiais e amplia a coleta em bares, restaurantes e pontos comerciais, com destaque para vidro e óleo de cozinha utilizado durante a festa.
Com a centralização das vendas, o pagamento passa a ser feito diretamente aos cooperados, o que eleva a previsibilidade de ganhos e reduz perdas financeiras.
Expansão para Periperi
Em Periperi, bairro de origem da cooperativa, a chegada da operação estruturada marca a primeira atuação organizada durante eventos de grande porte. O trabalho conta com apoio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional e da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.
Além da coleta, a base local oferece cadastro, orientação e acolhimento a trabalhadores desempregados ou em situação de vulnerabilidade, ampliando o acesso à atividade formalizada.
A proposta inclui suporte operacional, distribuição de fardas e encaminhamento social, integrando geração de renda e assistência comunitária.
Impactos ambientais e sociais
A expansão do programa no Subúrbio Ferroviário promove redução do acúmulo de resíduos nas ruas, menor pressão sobre aterros sanitários e reaproveitamento de materiais recicláveis. O sistema também contribui para melhorar as condições sanitárias e a organização urbana durante grandes eventos.
No aspecto econômico, a remuneração direta fortalece a renda de famílias que dependem da coleta informal, criando alternativa de trabalho com maior segurança e regularidade.
Segundo os organizadores, a consolidação da rede de cooperativas deve ampliar a cobertura para outros bairros em datas festivas e ações permanentes de coleta seletiva.


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