O Brasil produz cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano e recicla aproximadamente 8% desse total, segundo dados amplamente utilizados no setor ambiental. Diante desse cenário, a startup SOLOS, sediada no Hub Salvador, tem se destacado nacionalmente ao propor soluções para a gestão de resíduos com foco em inclusão social, economia circular e geração de renda, especialmente para catadores e cooperativas de reciclagem.
Instalada em um equipamento gerido pelo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Cepedi), a SOLOS surgiu a partir da necessidade de estruturar a reciclagem de forma mais eficiente e justa, considerando que cerca de 90% dos materiais recicláveis passam pelas mãos de catadores. A proposta da startup é integrar tecnologia, educação ambiental e logística para fortalecer a cadeia da reciclagem.
A atuação da empresa se concentra, principalmente, na gestão de resíduos em grandes eventos e em projetos territoriais, conectando geradores de resíduos, poder público, empresas privadas e cooperativas, com foco na destinação correta dos materiais e no fortalecimento da economia local.
Impacto social, geração de renda e reconhecimento nacional
Fundada por Saville Alves, aos 24 anos, a SOLOS consolidou sua atuação ao assumir a gestão de resíduos de grandes eventos, incluindo o Carnaval de Salvador. A partir dessas ações, a startup já impactou mais de dois milhões de pessoas com conteúdos e experiências voltadas à sustentabilidade em nove estados brasileiros.
Os projetos desenvolvidos resultaram em incremento de R$ 6,6 milhões na renda de catadores e cooperativas, além do desvio de 1,8 tonelada de materiais recicláveis de aterros sanitários. Esses números colocaram a SOLOS em evidência no ecossistema de inovação e sustentabilidade no país.
O conjunto de iniciativas levou a startup a ser reconhecida como uma das mais promissoras do Brasil em rankings e premiações voltadas à inovação climática e à resiliência ambiental. Para o fundador, o reconhecimento institucional reforça a importância de dar visibilidade ao papel dos catadores na cadeia da reciclagem.
Economia circular e preservação ambiental
A economia circular é um dos eixos centrais da atuação da SOLOS. A startup defende que a reciclagem e a circularidade dos materiais reduzem a extração de recursos naturais, contribuindo para a preservação de áreas de floresta e a redução das emissões associadas à produção de novos insumos.
Segundo a empresa, manter materiais em circulação impacta diretamente a biodiversidade, a redução da poluição e a conservação de territórios e culturas tradicionais, ao mesmo tempo em que fortalece cadeias produtivas locais. A proposta é alinhar sustentabilidade ambiental com desenvolvimento econômico e justiça social.
A atuação da SOLOS também envolve educação ambiental e engajamento comunitário, estimulando a participação ativa da população na separação e destinação correta dos resíduos, especialmente em áreas urbanas e turísticas.
Projetos em Caraíva, Atins e Salvador
Entre as iniciativas em andamento estão o projeto Vidrado e o RODA | A reciclagem na sua porta. O Vidrado atua na logística reversa do vidro em localidades como Caraíva e Atins, tendo reciclado mais de 154 toneladas de vidro nos últimos cinco anos em Caraíva e iniciado operações em Atins durante a virada de 2025 para 2026.
Já o projeto RODA promove a coleta seletiva porta a porta no Centro Histórico de Salvador, permitindo que moradores participem diretamente do processo e que os materiais sejam destinados a cooperativas de reciclagem. A iniciativa é realizada pela SOLOS em correalização com a Prefeitura de Salvador, por meio de secretarias municipais e da Limpurb, além de parcerias institucionais.
Esses projetos reforçam a estratégia da startup de atuar em territórios com alto fluxo turístico e relevância urbana, ampliando o alcance da reciclagem e fortalecendo a inclusão socioeconômica.


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