Um dos blocos afros mais tradicionais do Carnaval baiano, o Muzenza do Reggae realizou, na noite deste sábado (14/02/2026), o primeiro de seus três dias de desfile na folia de Salvador. Em 2026, o grupo leva às ruas o tema “Ginga: a Arte do Negro no Futebol”, proposta que destaca o papel histórico e cultural de atletas negros na formação estética e simbólica do futebol brasileiro.
O desfile reuniu cerca de 70 percussionistas, sob o comando de Ademir Souza, o Ademir Luigina, responsável pela condução musical do bloco. Segundo o dirigente, o tema busca estabelecer uma ponte entre o esporte e as expressões culturais de origem africana que marcam a identidade brasileira, como o samba, a capoeira e o reggae.
Tema valoriza herança cultural negra no futebol brasileiro
De acordo com Ademir Luigina, a escolha do enredo dialoga com a presença decisiva de jogadores negros na construção do estilo de jogo associado à criatividade, à improvisação e à chamada “ginga”. A proposta ganha relevância em um ano de Copa do Mundo, reforçando a homenagem aos atletas que, ao longo das décadas, contribuíram para consolidar a imagem do futebol brasileiro no cenário internacional.
O bloco aposta em uma abordagem que conecta esporte, cultura e identidade, ressaltando a influência das tradições africanas na formação de um modo de jogar que se tornou símbolo nacional. A iniciativa também reafirma o caráter histórico dos blocos afros como instrumentos de valorização cultural e de afirmação da identidade negra.
Representatividade feminina e protagonismo comunitário
Outro destaque do desfile é a escolha da Muzembela 2026, título concedido à rainha do bloco. Neste ano, o posto é ocupado pela pedagoga e percussionista Rafaela Rosa, representante da comunidade Roça da Sabina, no bairro da Barra.
Em declaração, Rafaela destacou a importância simbólica da escolha, tanto para sua trajetória pessoal quanto para as mulheres de sua comunidade. Segundo ela, o Muzenza representa mais de quatro décadas de história, resistência cultural e atuação social voltada para a população negra.
A rainha ressaltou que o bloco vai além da apresentação carnavalesca, mantendo projetos sociais e iniciativas culturais nas comunidades de origem, com foco na inclusão e no fortalecimento identitário.
Tradição do Muzenza e agenda de desfiles
Fundado em 5 de maio de 1981, no bairro da Liberdade, o Muzenza do Reggae nasceu como homenagem ao cantor jamaicano Bob Marley e à cultura reggae. Ao longo de mais de quatro décadas, o bloco consolidou-se como uma das principais referências dos blocos afros de Salvador.
Após o desfile de abertura, o grupo ainda tem duas apresentações programadas no Carnaval de 2026:
- Segunda-feira (16/02) – Circuito Dodô (Barra–Ondina), com saída prevista para 22h30
- Terça-feira (17/02) – Circuito Osmar (Campo Grande), com saída prevista para 18h30
Programa Ouro Negro garante apoio a entidades afro
O desfile do Muzenza integra o conjunto de ações financiadas pelo Programa Ouro Negro, iniciativa criada em 2008 com o objetivo de fortalecer manifestações da cultura afro-brasileira durante o Carnaval. O programa também apoia projetos socioculturais desenvolvidos pelas entidades em suas comunidades.
Em 2026, o programa conta com investimento recorde de R$ 17 milhões, garantindo a participação de 95 entidades de matriz africana nos principais circuitos da festa. Entre os beneficiados estão blocos afros, afoxés, grupos de samba, capoeira e outras expressões culturais.
A iniciativa faz parte das ações do projeto oficial “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, que busca reforçar o papel das tradições negras na formação histórica e cultural da maior festa popular do país.



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