O Bloco da Capoeira desfilou na quinta-feira (12/02/2026) pelo Circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador, com o tema “Roda de Mandinga: Ancestralidade e Resistência na Arte de Sambar”. O cortejo apresentou a capoeira como prática cultural, forma de transmissão de saberes e instrumento histórico de resistência da população negra, integrando música, dança e expressões corporais ao trajeto oficial da festa.
A apresentação reuniu alas de baianas, malungos, grupos de berimbau, percussão e rodas coreografadas, compondo a estrutura artística do desfile. O bloco destacou a roda de capoeira como espaço comunitário de memória e identidade.
A participação integrou a programação do Carnaval com foco em manifestações de matriz africana e na valorização de iniciativas socioculturais desenvolvidas ao longo do ano.
Atuação comunitária e organização do bloco
Fundado em 2001, o bloco é vinculado à Associação Sócio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá, sediada no bairro Pau Miúdo. A entidade promove ações educativas, culturais e produtivas voltadas a comunidades em situação de vulnerabilidade social.
Segundo a organização, os projetos incluem oficinas, formação profissional e atividades artísticas que envolvem jovens e moradores de diferentes bairros. O desfile é apresentado como resultado das ações permanentes realizadas durante o ano.
O cantor, compositor e gestor cultural Tonho Matéria afirmou que políticas públicas de fomento permitem ampliar as atividades e garantir estrutura para a participação no Carnaval.
Formação, emprego e participação de jovens
De acordo com a coordenação, a associação atua em 13 comunidades com cursos profissionalizantes em áreas como maquiagem, fotografia e produção cultural. A iniciativa envolve centenas de participantes em atividades de qualificação e geração de renda.
Integrantes relataram que o bloco funciona como espaço de integração entre educação, cultura e trabalho, ampliando oportunidades para jovens e famílias atendidas pelos projetos.
O desfile também contou com colaboradores e estudantes que participam pela primeira vez, fortalecendo a renovação dos grupos culturais ligados à capoeira.
Homenagens, mobilização e intercâmbio internacional
O cortejo fez referências a locais associados à prática da capoeira na cidade, como a Mercado Modelo, o bairro da Liberdade, a Ribeira, o Terreiro de Jesus e Itapuã, pontos onde rodas e encontros culturais são realizados regularmente.
Movimentos sociais também utilizaram o desfile para defender políticas públicas voltadas à capoeira, incluindo propostas de inserção da prática no ambiente escolar e reconhecimento institucional.
O bloco recebeu ainda participantes estrangeiros convidados por mestres residentes fora do país, promovendo intercâmbio cultural e ampliando a visibilidade internacional da manifestação.


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