A Prefeitura de Salvador reforçou a fiscalização e as ações de proteção no Parque Marinho da Barra durante os períodos de verão e Carnaval, quando há aumento da circulação de lanchas e outras embarcações na orla. As medidas incluem restrição ao fundeio, monitoramento no mar e comunicação visual ampliada, com o objetivo de preservar o ecossistema marinho e sítios arqueológicos subaquáticos.
Criado pelo decreto municipal nº 30.953/2019, o Parque Marinho da Barra é reconhecido como a primeira unidade de conservação marinha municipal contígua ao continente no Brasil, abrangendo a área entre o Farol da Barra e o Forte de Santa Maria.
De acordo com a Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), o aumento do tráfego náutico durante eventos e festas pode gerar impactos ambientais, danos a corais e riscos a patrimônios históricos submersos, exigindo controle mais rigoroso.
Regras proíbem ancoragem e limitam uso da área
Segundo o titular da Secis, Ivan Euler, a legislação foi revisada para tornar explícitas as restrições dentro do parque. A principal medida é a proibição do fundeio de embarcações, prática que pode comprometer formações de corais e estruturas arqueológicas.
As embarcações estão autorizadas a transitar pela área, mas não podem ancorar ou utilizar âncoras, conforme definição discutida com a Capitania dos Portos. A regra busca reduzir impactos físicos no fundo do mar.
O gestor afirma que a delimitação procura equilibrar circulação náutica e conservação ambiental, mantendo o uso público sem comprometer a integridade da unidade de proteção.
Fiscalização é ampliada nos períodos de maior movimento
Durante o verão e o Carnaval, a prefeitura realiza operações específicas para coibir paradas irregulares de lanchas. As equipes atuam para evitar concentração de embarcações próximas aos trios elétricos e à faixa costeira protegida.
De acordo com a Secis, o parque funciona como berçário natural para espécies marinhas, favorecendo a reprodução de peixes e a manutenção do equilíbrio ecológico, com reflexos positivos em outras áreas onde a pesca é permitida.
A fiscalização contará com apoio da Salvamar e da Capitania dos Portos, ampliando o monitoramento direto no mar e a orientação aos navegantes.
Sinalização e campanhas informativas orientam população
Além das operações de campo, a prefeitura investiu em comunicação visual para informar moradores, turistas e condutores de embarcações sobre as regras de uso do parque.
Foram instaladas faixas na orla e boias de demarcação, que indicam a proibição de fundeio, pesca e descarte de resíduos. A estratégia busca reduzir infrações por desconhecimento das normas.
Segundo a gestão municipal, a definição das áreas protegidas contou com participação de instituições acadêmicas, comunidade local e representantes da sociedade civil.
Área reúne biodiversidade e patrimônio arqueológico
Especialistas destacam que a relevância do parque vai além do turismo. O professor José Rodrigues, doutor em Geologia Marinha do Instituto Federal Baiano, afirma que o local abriga diversidade de corais, moluscos, peixes e flora marinha, além de características ambientais estratégicas para a conservação.
Ele ressalta ainda que a unidade concentra três naufrágios históricos, reconhecidos como sítios arqueológicos nacionais tombados, o que amplia o valor científico e cultural da área.
Segundo o pesquisador, a combinação entre biodiversidade e patrimônio subaquático torna o espaço relevante em escala regional e internacional.



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