Adolescentes suspeitos de matar cão comunitário Orelha retornam ao Brasil, têm celulares apreendidos e Polícia Civil amplia investigação por maus-tratos

Na sexta-feira (30/01/2026), dois dos quatro adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha retornaram ao Brasil e foram abordados pela Polícia Civil de Santa Catarina no aeroporto, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão de celulares. Os jovens haviam viajado ao exterior e são apurados por suspeita de crime de maus-tratos contra animal, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).

Durante a operação, os aparelhos eletrônicos foram recolhidos e encaminhados à Polícia Científica, responsável pela extração e análise de dados digitais. A corporação informou que outros dispositivos já haviam sido apreendidos anteriormente, em diligências relacionadas ao mesmo caso.

Os adolescentes também foram intimados a prestar depoimento, etapa que integra o andamento do inquérito policial. A investigação busca reunir provas técnicas, testemunhais e periciais para esclarecer a dinâmica dos fatos.

Apreensão de celulares e perícia digital integram coleta de provas

Segundo a Polícia Civil, a análise dos equipamentos pode auxiliar na identificação de registros, mensagens, imagens ou vídeos que contribuam para a reconstituição do episódio. A medida segue protocolos de investigação em crimes praticados por meio ou com apoio de dispositivos eletrônicos.

Além da perícia digital, foi solicitada a emissão de laudo de corpo de delito do animal, documento técnico que deve detalhar as lesões constatadas e apoiar a tipificação penal do caso.

As autoridades informaram que as diligências permanecem em curso e que novas oitivas poderão ser realizadas conforme o avanço da apuração.

Caso ocorreu na Praia Brava e resultou na morte do animal

De acordo com as investigações, o cão comunitário Orelha, com cerca de 10 anos, foi agredido na Praia Brava, no litoral de Santa Catarina, no dia (04/01/2026). Após atendimento veterinário, o animal foi submetido à eutanásia no dia (05/01/2026) em razão da gravidade dos ferimentos.

O caso passou a ser tratado como suspeita de maus-tratos com resultado morte, hipótese que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição de guarda, podendo haver aumento de pena conforme as circunstâncias.

A ocorrência gerou mobilização de moradores, protetores independentes e organizações ligadas à causa animal, que acompanham o andamento do inquérito.

Familiares também foram indiciados por suposta interferência

A Polícia Civil informou que pais de dois adolescentes e um tio foram indiciados por suspeita de coação de testemunhas e interferência nas investigações. Conforme o relato policial, teriam ocorrido tentativas de dificultar a coleta de depoimentos.

Os três respondem a procedimentos específicos, separados do ato infracional atribuído aos menores. As condutas serão avaliadas conforme a legislação penal aplicável.

Por envolver adolescentes, o caso relacionado aos jovens tramita no âmbito da Vara da Infância e Juventude, onde podem ser aplicadas medidas socioeducativas, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Outro episódio de violência contra animal é apurado no Paraná

Em ocorrência distinta, a polícia registrou a morte de um cachorro chamado Abacate, na cidade de Toledo (PR), na terça-feira (27/01/2026), atingido por disparo de arma de fogo. A autoria do tiro está sob investigação.

O caso também é apurado como crime ambiental, podendo resultar em responsabilização penal do autor, caso identificado.

As autoridades reforçam que denúncias de maus-tratos podem ser encaminhadas aos canais oficiais das polícias civis e órgãos de proteção animal.

*Com informações da Agência Brasil.


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