A última quinta-feira (15/01/2026) marcou a realização da Lavagem do Bonfim, considerada uma das maiores manifestações de fé, cultura e sincretismo religioso da Bahia. Vereadores de Salvador presentes no evento destacaram a relevância da celebração, que percorreu 6,8 quilômetros da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, ressaltando seu caráter histórico e cultural.
Durante o cortejo, que contou com público vestido de branco, afoxés, blocos afro, grupos de capoeira, música e dança, os parlamentares enfatizaram que o evento vai além da fé católica, sendo também um ato de resistência e afirmação da identidade negra e da ancestralidade que fortalece a identidade baiana.
O presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz (PSDB), classificou a Lavagem como a manifestação que mais simboliza a paz no país, destacando que o evento atrai visitantes de diversas regiões e reforça o compromisso da Câmara em aprovar projetos voltados para saúde, educação e transporte público em 2026.
Participação dos vereadores e enfoque em políticas sociais
Duda Sanches (União Brasil) afirmou que a Lavagem representa “a alma da Bahia”, destacando a união proporcionada pelo sincretismo religioso. Já Omarzinho Gordilho (PDT) ressaltou a fé, gratidão e retrospectiva que a caminhada proporciona aos participantes, lembrando suas mais de 15 edições participadas.
A líder da oposição, Aladilce Souza (PCdoB), destacou a Lavagem como a maior expressão de fé e religiosidade do povo baiano, enfatizando a importância de reforçar pedidos de redução da violência e da intolerância religiosa e racial. Sílvio Humberto (PSB) apontou que a celebração também funciona como espaço para cobrança de políticas públicas, incluindo educação de qualidade e combate às desigualdades sociais.
Os vereadores Téo Senna (PSDB) e Felipe Santana (PSD) reforçaram que a concentração de milhares de pessoas reafirma pedidos de melhorias e renovação de compromissos sociais, enquanto outros parlamentares, como Daniel Alves, Rodrigo Amaral e Sandro Filho (PSDB), ressaltaram a importância histórica e cultural do evento para o povo baiano.
História e tradição da Lavagem do Bonfim
A Lavagem do Bonfim é considerada o maior evento popular e religioso de Salvador antes do Carnaval. A Fundação Gregório de Mattos (FGM) informa que a construção da Basílica Santuário Nosso Senhor do Bonfim, datada de 1754, começou no século XVIII, motivada pelo agradecimento do capitão português Theodósio de Faria, que sobreviveu a uma tempestade no mar.
O cortejo teve início oficialmente em 1773, embora a origem da tradição seja debatida entre historiadores. Uma versão aponta que a prática surgiu após um soldado da Guerra do Paraguai lavar as escadarias da igreja em sinal de agradecimento. Outra hipótese associa a tradição à própria comunidade local, responsável pela limpeza da basílica antes da Festa do Senhor do Bonfim.
Há registros também ligando a prática aos devotos de São Gonçalo, que realizavam a lavagem antes das celebrações dedicadas ao santo. Ao longo do tempo, a ação se consolidou como ritual religioso e passou a integrar o calendário oficial de eventos de Salvador, reforçando o caráter de sincretismo, fé e cultura popular.


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