A Lavagem do Bonfim, um dos principais eventos do calendário cultural de Salvador, contará com a participação de 11 blocos de matriz afro-brasileira, assegurada pelo Edital Ouro Negro 2026. A iniciativa integra o Programa Ouro Negro, desenvolvido pelo Governo da Bahia, e garante apoio financeiro a entidades que atuam na valorização das tradições afro-brasileiras e na preservação do patrimônio cultural imaterial.
O edital selecionou projetos de entidades que promovem a transmissão intergeracional de saberes, a manutenção de símbolos culturais e a participação comunitária nos festejos populares, fortalecendo a presença dessas manifestações no cortejo religioso e cultural.
A ação integra um conjunto de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade étnico-racial e ao fortalecimento das expressões culturais de matriz africana no estado.
Blocos selecionados para o cortejo do Bonfim
O Edital Ouro Negro 2026 assegura a participação de 11 entidades culturais no desfile da Lavagem do Bonfim, contemplando as categorias afro, afoxé, samba, reggae e blocos de índio. Os blocos selecionados são: Afrodescendentes da Bahia, Bloco da Saudade, Ilê Aiyê, Ki Beleza, Leva Eu, Malê Debalê, Mangangá Capoeira, Mundo Negro, Olodum, Proibido Proibir e Samba & Folia.
A presença dessas entidades reforça o caráter plural da Lavagem do Bonfim e amplia a visibilidade das expressões culturais afro-brasileiras no espaço público.
Os blocos participam do cortejo com apresentações que articulam música, dança, estética e símbolos identitários, compondo um dos momentos centrais do festejo.
Programa Ouro Negro registra investimento histórico em 2026
Em 2026, o Programa Ouro Negro realiza um investimento recorde de R$ 17 milhões, destinado ao financiamento de agremiações carnavalescas com forte identidade de matriz africana. O programa é executado por meio da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi).
Os recursos garantem a participação de blocos afros em eventos como o Carnaval de Salvador, a Lavagem do Bonfim, a Lavagem de Itapuã, a Lavagem da Purificação, em Santo Amaro, a Micareta de Feira de Santana e festas carnavalescas no interior do estado.
Desde 2008, o programa apoia entidades que desenvolvem projetos socioculturais em suas comunidades, contribuindo para a formação cidadã e a valorização da cultura afro-brasileira.
Lavagem do Bonfim é patrimônio cultural do Brasil
A festa do Nosso Senhor do Bonfim é reconhecida como Patrimônio Imaterial do Brasil, título concedido em 2014, e reúne milhões de baianos e visitantes. O festejo acontece, tradicionalmente, na segunda quinta-feira após o Dia de Reis, com um cortejo de aproximadamente 8 quilômetros.
A caminhada tem início na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, e segue até a Basílica do Bonfim, na Colina Sagrada, reunindo manifestações religiosas, culturais e musicais.
O evento articula elementos do catolicismo e das religiões de matriz africana, conectando o sagrado e o profano em um dos rituais mais representativos da cultura baiana.
Ritual, cortejo e expressões culturais afro-brasileiras
Durante o trajeto, diversas entidades participam do cortejo, incluindo os blocos afros, que expressam devoção religiosa e resistência cultural. O ponto culminante ocorre por volta das 9h30, quando as baianas realizam a lavagem da escadaria da Igreja do Bonfim, utilizando água, flores e perfumes.
O ritual combina cânticos católicos, toques de atabaques e elementos do candomblé e da umbanda, reunindo fiéis e turistas que participam de pedidos, agradecimentos e celebrações.
Após os ritos religiosos, a festa segue com manifestações populares em diferentes pontos do circuito, ampliando a dimensão cultural do evento.
Olodum retorna à Lavagem do Bonfim após 25 anos
Com apoio do Programa Ouro Negro, o bloco Olodum confirma seu retorno à Lavagem do Bonfim após 25 anos. A concentração está marcada para quinta-feira (15/01/2026), às 9h, em frente ao Mercado Modelo, com saída em caminhada até o Largo da Calçada.
O cortejo do Olodum contará com 120 percussionistas, 80 dançarinos e mais de 20 alegorias, compondo uma apresentação cultural de grande porte dentro da programação do evento.
A retomada da participação do bloco reforça o papel do edital no fortalecimento das expressões culturais afro-brasileiras nos festejos tradicionais da Bahia.


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