Vacina da dengue do Instituto Butantan começa a ser aplicada pelo SUS a partir de janeiro de 2026 em 3 cidades

A vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan terá início a partir de 17 de janeiro de 2026 em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Em Botucatu (SP), a aplicação começará no dia 18. A ação integra uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar a prevenção da doença no país.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo inicial é avaliar os resultados da imunização em pelo menos 50% da população dos municípios selecionados. A vacina do Butantan é de dose única, característica que diferencia o imunizante atualmente disponível na rede pública.

O público-alvo dessa primeira etapa será formado por pessoas com idade entre 15 e 59 anos, faixa etária definida para a avaliação da estratégia de ampliação da vacinação contra a dengue.

Distribuição das primeiras doses e público prioritário

Para essa fase inicial, será utilizada parte das primeiras 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan. Além da população geral dos municípios selecionados, o primeiro lote também será destinado aos profissionais da atenção primária, que atuam nas unidades básicas de saúde (UBS).

De acordo com o ministério, a definição das cidades considera critérios técnicos e operacionais, com foco na análise do impacto da vacinação em larga escala antes da expansão nacional.

Atualmente, o SUS oferece outro imunizante contra a dengue, produzido no Japão, aplicado em duas doses e destinado a adolescentes de 10 a 14 anos.

Ampliação gradual da vacinação no país

O Ministério da Saúde informou que a estratégia será gradualmente ampliada para todo o Brasil, à medida que houver aumento na produção de doses. A ampliação está vinculada à parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines.

Segundo a pasta, a proposta é iniciar a expansão pela população de 59 anos, avançando progressivamente até alcançar o público de 15 anos, conforme a disponibilidade do imunizante.

A ampliação nacional dependerá dos resultados obtidos nas cidades-piloto e da capacidade produtiva ao longo dos próximos meses.

Estudos indicam eficácia contra diferentes genótipos

Nesta semana, o Instituto Butantan divulgou dados que apontam que a vacina pode reduzir a carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue, além de manter eficácia contra diferentes genótipos circulantes no Brasil. As conclusões foram publicadas na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.

A pesquisa analisou 365 voluntários que apresentaram dengue sintomática entre 2016 e 2021, em 14 estados brasileiros. Os pesquisadores compararam dados de grupos vacinados e não vacinados.

Os resultados indicaram que, embora algumas infecções tenham ocorrido após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi significativamente menor, o que está associado a quadros clínicos menos graves.

Aprovação da Anvisa e dados de eficácia

A vacina da dengue do Instituto Butantan foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a análise de dados de cinco anos de acompanhamento de 16 mil voluntários participantes do ensaio clínico.

Na faixa etária de 12 a 59 anos, indicada pela Anvisa, o imunizante apresentou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra casos graves e com sinais de alarme, segundo os dados divulgados pelo instituto.

Esses resultados embasam a decisão do Ministério da Saúde de iniciar a aplicação da vacina no SUS como parte da estratégia de enfrentamento à dengue no país.

*Com informações da Agência Brasil.


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