O Janeiro Dourado reforça a atenção para os cuidados com o sistema musculoesquelético e a saúde cardiovascular no início do ano, período marcado pelo aumento da procura por atividades físicas. Especialistas alertam que iniciar ou intensificar exercícios sem avaliação médica prévia pode elevar o risco de lesões ortopédicas e eventos cardíacos, especialmente após longos períodos de sedentarismo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a inatividade física está entre os principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, sendo associada a cerca de 5 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, informações do Ministério da Saúde indicam que mais de 47% da população adulta é insuficientemente ativa, o que evidencia a necessidade de estímulo à prática esportiva com orientação e segurança.
Nesse cenário, profissionais de saúde ressaltam que o exercício regular traz benefícios comprovados, desde que respeite limites individuais e seja precedido por avaliações clínicas adequadas, capazes de identificar riscos ocultos e orientar a escolha das atividades.
Aumento de lesões no início do ano
Segundo o ortopedista Nivaldo Cardozo, coordenador do Serviço de Ortopedia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e do Hospital Mater Dei EMEC (HMDE), o mês de janeiro apresenta aumento na incidência de lesões musculoesqueléticas, acompanhando o crescimento da prática esportiva.
De acordo com o especialista, são frequentes casos de lesões musculares, entorses, tendinites e dores articulares, geralmente associados a excesso de carga, falta de preparo físico e execução inadequada dos movimentos. Ele destaca que o entusiasmo típico do início do ano deve ser acompanhado de planejamento.
O ortopedista reforça que a prevenção passa pelo conhecimento das limitações individuais e pela adoção de rotinas progressivas, evitando sobrecargas que podem resultar em afastamentos prolongados das atividades físicas.
Importância da avaliação ortopédica
A avaliação ortopédica prévia, segundo Nivaldo Cardozo, permite identificar desequilíbrios musculares, limitações articulares e alterações posturais que podem comprometer o desempenho esportivo e aumentar o risco de lesões.
O objetivo da avaliação, conforme o especialista, é adequar o exercício à condição física de cada pessoa, e não restringir a prática esportiva. O acompanhamento possibilita ajustes na intensidade, no tipo de atividade e na progressão dos treinos.
Estudos da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) indicam que uma parcela significativa das lesões esportivas pode ser evitada com orientação adequada, fortalecimento muscular e progressão gradual de carga, reforçando a importância do acompanhamento especializado.
Saúde do coração e riscos cardiovasculares
O Janeiro Dourado também destaca os cuidados com o sistema cardiovascular, especialmente diante do aumento súbito da intensidade dos exercícios. A cardiologista Marianna Andrade, coordenadora do Serviço de Cardiologia do HMDS, alerta para os riscos em pessoas sedentárias ou com fatores de risco.
Segundo a especialista, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde. Muitas condições, como hipertensão, arritmias e doença coronariana, podem evoluir de forma silenciosa.
Marianna Andrade ressalta que a avaliação cardiológica antes da prática esportiva é fundamental, especialmente para atividades de maior intensidade, permitindo identificar riscos e orientar limites seguros.
Avaliação cardiológica e medicina do esporte
Exames como eletrocardiograma, teste ergométrico e avaliação clínica são apontados como ferramentas importantes para a estratificação de risco cardiovascular antes do início ou da intensificação dos treinos.
O cardiologista do Esporte Eduardo Lisboa, do HMDS, destaca que a integração entre ortopedia, cardiologia e medicina do esporte permite um acompanhamento mais completo, alinhando condicionamento físico, prevenção de lesões e proteção cardiovascular.
Segundo o especialista, o exercício físico é um recurso eficaz para a promoção da saúde quando individualizado e monitorado, garantindo que os benefícios superem os riscos associados à prática inadequada.


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