Presidente Lula sanciona lei que amplia diagnóstico de autismo para adultos e idosos

A Presidência da República sancionou recentemente a Lei 15.256/2025, que amplia o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) para adultos e idosos, incluindo-os pela primeira vez entre os grupos prioritários. A norma altera a antiga legislação sobre os direitos das pessoas com autismo (Lei 12.764/2012) e busca garantir acolhimento, diagnóstico formal e acesso a políticas públicas para uma parcela da população que historicamente ficou sem identificação e suporte adequados.

Antes da nova lei, os protocolos clínicos e políticas públicas priorizavam diagnósticos infantis, deixando de fora pessoas que só percebiam suas particularidades na juventude, vida adulta ou terceira idade. A ausência de identificação nessa fase podia resultar em sofrimento silencioso, diagnósticos equivocados e prejuízos à saúde mental. Com a mudança, a investigação diagnóstica do TEA em adultos e idosos passa a ser diretriz da política nacional.

Com a inclusão dessa faixa etária, espera-se não apenas mais diagnósticos formais, mas também a ampliação do acesso a tratamentos adequados, redes de apoio especializadas e a garantia de direitos fundamentais. A legislação contribui para o autoconhecimento, validação da identidade neurodiversa e possibilidade de vida mais estruturada e digna.

Impactos na saúde mental e na assistência social

Segundo a psicóloga, neuropsicóloga e especialista em diagnóstico tardio Sílvia Santana, diretora do CEAPP, a lei representa um “salto civilizatório” para a saúde mental. Ela destaca que muitas pessoas viveram décadas sem compreender suas diferenças, recebendo diagnósticos equivocados como ansiedade ou depressão. Agora, a investigação diagnóstica possibilita acolhimento, terapias adequadas e reaproximação com a própria história.

Do ponto de vista da saúde pública, a norma amplia a população que pode demandar atendimento psicológico, psiquiátrico e multiprofissional, exigindo que Estados e Municípios se preparem para acolher essa demanda crescente. A medida também contribui para reduzir diagnósticos equivocados, melhorar acompanhamento clínico e oferecer intervenções mais eficazes.

Além disso, o diagnóstico tardio possibilita intervenções terapêuticas focadas nas necessidades específicas da neurodiversidade, prevenindo sofrimento psíquico, isolamento social e problemas de saúde associados.

Inclusão social e direitos garantidos

A lei também abre caminho para inclusão mais efetiva em políticas de assistência, educação e mercado de trabalho, garantindo direitos e dignidade para adultos e idosos autistas. A medida reforça a necessidade de políticas integradas que valorizem a identidade neurodiversa e promovam acesso equitativo a serviços e oportunidades.

“A sanção da Lei 15.256/2025 representa um marco para a inclusão social e saúde mental no Brasil, permitindo que adultos e idosos autistas deixem de ser invisíveis e recebam apoio adequado”, conclui Sílvia Santana.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading