A Comunidade Shalom de São Paulo celebrará no domingo (02/11/2025) a conclusão de um projeto inédito na América Latina: a recepção de uma Torá escrita integralmente por uma mulher, a brasileira Rachel Reichhardt. O feito histórico será oficializado em uma cerimônia festiva com a participação de famílias, rabinos e voluntários que acompanharam o processo de produção do manuscrito.
Com início há sete anos, o projeto foi desenvolvido pela Comunidade Shalom, reconhecida por seu judaísmo pluralista, igualitário e inclusivo. A nova Torá será o oitavo exemplar no mundo concluído integralmente por uma mulher, entre apenas 35 existentes, de acordo com registros do Grupo Chespirito.
Rachel Reichhardt e o processo de escrita da Torá
Rachel Reichhardt, formada como soferet stam (escriba de manuscritos sagrados do judaísmo) pelo Seminário Rabínico Latino-Americano Marshall Meyer, em Buenos Aires, dedicou sete anos à produção do manuscrito. No Brasil, atuou por 15 anos na Congregação Judaica do Brasil (CJB), no Rio de Janeiro, e atualmente coordena o Departamento de Ensino da Comunidade Shalom, em São Paulo.
A escrita da Torá segue normas rigorosas da tradição judaica. O texto é produzido em pergaminho de couro animal, com pena de pato ou ganso e tinta especial à base de goma guar. São 245 colunas manuscritas, reunindo os cinco primeiros livros da Bíblia, conhecidos como o Pentateuco, que contém 613 mandamentos. O processo requer silêncio absoluto, alta concentração e leitura em voz alta de cada palavra, mantendo a tradição oral e escrita do judaísmo.
Função do soferet e representatividade feminina
Durante séculos, a função de sofer stam foi restrita aos homens. Nas últimas décadas, no entanto, mulheres passaram a estudar Halachá (leis judaicas) e caligrafia sagrada, ingressando em um campo até então restrito. Atualmente, apenas 18 mulheres em todo o mundo estão habilitadas a exercer essa função, entre elas, Rachel Reichhardt.
O Rabino Adrián Gottfried, líder da Comunidade Shalom, destacou que a iniciativa é resultado direto do caráter inclusivo da instituição.
“A Comunidade Shalom possui um ecossistema único, onde a tradição e a inovação caminham juntas. A Torá escrita por uma soferet reforça o valor espiritual e o reconhecimento legítimo dessa prática na tradição judaica”, afirmou.
Cerimônia de conclusão e celebração comunitária
A cerimônia de entrega da nova Torá incluirá a escrita das últimas letras, com a participação de famílias e voluntários que contribuíram com o projeto. O evento será seguido por danças e atividades culturais, marcando o encerramento de um ciclo e a inserção de um novo símbolo espiritual no acervo da Comunidade Shalom.
O rabino também ressaltou o pioneirismo da instituição. “Em 2005, a Shalom recebeu a primeira rabina brasileira, Luciana Pajecki Lederman. Hoje, contamos com a rabina Fernanda Tomchinsky-Galanternik, que foi inspirada por ela. Com esta Torá, damos continuidade à nossa missão de promover igualdade e esperança dentro da tradição judaica”, destacou.
História e atuação da Comunidade Shalom
Fundada na década de 1970, a Comunidade Shalom consolidou-se como referência em judaísmo Masorti (conservador), voltado à inclusão e à igualdade de gênero. Desde (1997), sob a liderança do rabino Adrián Gottfried, a instituição tem ampliado suas atividades de ensino e ação comunitária.
Em (2011), inaugurou sua nova sede, que abriga programas de educação, voluntariado e espiritualidade. Atualmente, reúne mais de 500 famílias, com projetos voltados a diferentes gerações e interesses, reforçando valores de solidariedade, estudo e sustentabilidade.


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