Gagueira atinge milhões de brasileiros e reforça importância da Fonoaudiologia no tratamento e inclusão

Nesta quarta-feira (22/10/2025), foi celebrado o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, data criada em 1998 pela International Fluency Association e pela International Stuttering Association com objetivo de combater preconceitos e ampliar a conscientização sobre um distúrbio que afeta a comunicação e a qualidade de vida de milhões de pessoas. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, cerca de 2 milhões de pessoas convivem com gagueira persistente, que se manifesta por repetições de sílabas, prolongamentos de sons ou bloqueios na fala.

Origem e características da gagueira

A gagueira, também conhecida como distúrbio de fluência, geralmente surge na infância, entre 2 e 5 anos, período em que a fala ainda está em desenvolvimento. Embora algumas crianças superem o distúrbio naturalmente, uma parcela mantém os sintomas na vida adulta.

Aspectos neurológicos e emocionais

Estudos indicam que a gagueira possui origem multifatorial, incluindo fatores genéticos, neurológicos e emocionais. Filhos de pessoas que gaguejam têm maior probabilidade de apresentar o distúrbio, e pesquisas mostram diferenças no funcionamento cerebral de indivíduos afetados. Situações de estresse e ansiedade podem intensificar as disfluências, mas não são causas do distúrbio, segundo a fonoaudióloga Carolina Pamponet.

Papel da Fonoaudiologia no tratamento

O tratamento da gagueira não possui cura única, mas o acompanhamento adequado traz avanços significativos. Quanto mais cedo iniciado, melhores os resultados. A Fonoaudiologia utiliza técnicas personalizadas de respiração, ritmo, coordenação da fala e exercícios para segurança comunicativa, além de atuar na fortalecimento da autoestima e na redução da tensão associada à fala.

Abordagem em diferentes fases da vida

Em crianças, o acompanhamento previne o agravamento do quadro, enquanto em adultos o foco é controlar as disfluências e tornar a comunicação mais natural e funcional. O tratamento é adaptado para cada fase e perfil do paciente, considerando as necessidades individuais de desenvolvimento, socialização e inserção no mercado de trabalho.

Preconceito e conscientização social

Além do desafio da fala, a gagueira enfrenta barreiras sociais, como piadas, interrupções e constrangimentos, que podem gerar isolamento social e restrição da comunicação. Carolina Pamponet reforça que o primeiro passo é o acolhimento, com escuta ativa e respeito. Segundo a especialista, a sociedade deve compreender que gagueira não é falta de inteligência nem preguiça, mas uma condição que exige empatia e cuidado profissional.

Inclusão e visibilidade

O Dia Internacional de Atenção à Gagueira contribui para a visibilidade do distúrbio, promovendo políticas públicas, programas educacionais e ações de conscientização que incentivem o respeito à diversidade comunicativa e o acesso a tratamentos especializados em todo o país.


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