A história de Marina Barbosa, quilombola formada em Medicina, é retratada no filme “Aprender a Sonhar”, dirigido por Vítor Rocha, em exibição nos cinemas do país. A obra chega em um momento simbólico: os 20 anos da política de cotas na Universidade Federal da Bahia (UFBA), implementadas em 2005, destacando o papel das ações afirmativas na inclusão de estudantes de comunidades tradicionais.
Trajetória de Marina Barbosa
Nascida e criada no quilombo de Quenta Sol, em Tremedal (BA), Marina cresceu observando sua mãe tratar a família com saberes tradicionais e remédios naturais. Inspirada pelo poder curativo das plantas, decidiu estudar Medicina, enfrentando dificuldades econômicas e sociais ao chegar em Salvador, contando apenas com passagem, farinha, sal e a roupa do corpo.
Resistência e ancestralidade
Durante os primeiros meses na universidade, Marina sobreviveu com alimentação mínima e abrigo precário, permanecendo firme em seu propósito. Uma muda de árvore plantada no quilombo simbolizou sua conexão com a ancestralidade, fortalecendo sua trajetória. O reencontro com saberes tradicionais ajudou a equilibrar saúde física e mental, permitindo que concluísse o curso.
Ampliação do projeto audiovisual
O longa-metragem apresenta também a trajetória de outros jovens cotistas, como Nadjane Cristina, Ana Paula Rosário, Taquari e Tamiwere Pataxó, destacando experiências de quilombolas e indígenas que conciliam estudo universitário com preservação cultural. A obra complementa a série de TV “Aprender a Sonhar”, lançada em 2017, que acompanha estudantes de comunidades tradicionais na busca pelo diploma sem abandonar suas raízes.
Impacto das cotas e sessões especiais
Para marcar os 20 anos da política de cotas na UFBA, o Cinema da UFBA, no Vale do Canela, recebe ciclo de sessões especiais a partir de segunda-feira (20), às 18h30, com a presença de professor Samuel Vida e jovens das comunidades de Paraguari e Alto das Pombas. O evento visa reforçar a importância das cotas para a inclusão educacional e o fortalecimento de comunidades historicamente marginalizadas.


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