OMS alerta que mais de 1 bilhão de pessoas vivem sob risco por hipertensão não controlada

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira (07/10/2024) o segundo Relatório Global sobre Hipertensão, apontando que 1,4 bilhão de pessoas viviam com a doença em 2024. O documento, apresentado durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, alerta que o controle da hipertensão permanece insuficiente, especialmente em países de baixo e médio rendimento, e destaca a necessidade de políticas de saúde e acesso universal a medicamentos.

Segundo a OMS, apenas 28% dos países de baixo rendimento têm disponibilidade de todos os medicamentos recomendados para hipertensão, enquanto a maioria das pessoas afetadas continua vulnerável a complicações preveníveis.

Impacto global da hipertensão

Riscos à saúde e custos econômicos

A hipertensão é apontada como uma das principais causas de ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, doenças renais crônicas e demência, todas preveníveis com acesso adequado a cuidados de saúde. Entre 2011 e 2025, estima-se que as doenças cardiovasculares custarão US$ 3,7 trilhões aos países de baixo e médio rendimento, cerca de 2% do PIB combinado dessas nações.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que “a cada hora, mais de mil vidas são perdidas devido a acidentes vasculares e ataques cardíacos causados pela hipertensão arterial, e a maioria dessas mortes é evitável”. Ele destacou a necessidade de investimento contínuo, reformas de saúde e cobertura universal para salvar milhões de vidas.

Barreiras persistentes ao controle da hipertensão

Desigualdade na disponibilidade de medicamentos e serviços

O relatório analisou dados de 195 países e territórios e constatou que 99 deles têm taxas de controle inferiores a 20%. A maioria das pessoas afetadas vive em países de baixo e médio rendimento, onde há restrições de recursos, falta de políticas de promoção da saúde, acesso limitado a aparelhos de medição, escassez de protocolos e medicamentos caros.

A OMS reforça a necessidade de formação de equipes de cuidados primários e proteção financeira aos pacientes, destacando que o acesso desigual a medicamentos seguros e eficazes é um dos principais obstáculos no combate à hipertensão. Tom Frieden, diretor executivo da Resolve to Save Lives, afirmou que “eliminar essa lacuna salvará vidas e economizará bilhões de dólares todos os anos”.

Progresso nacional e melhores práticas

Exemplos de países que avançaram no controle

Alguns países demonstraram avanços significativos na gestão da hipertensão. Bangladesh aumentou o controle de 15% para 56% em algumas regiões entre 2019 e 2025, integrando o tratamento no pacote essencial de saúde. As Filipinas incorporaram o controle em serviços comunitários, e a República da Coreia atingiu 59% de controle nacional ao reduzir custos de medicamentos.

A OMS recomenda que todos os países integrem o controle da hipertensão nas reformas de cobertura universal de saúde, para evitar milhões de mortes prematuras e reduzir o impacto social e econômico da doença não controlada.

*Com informações da ONU News.


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