Audiência pública discute políticas de saúde para a população negra em Salvador

Na quinta-feira (20/08/2025), a Câmara Municipal de Salvador sediou uma audiência pública da Comissão de Reparação, presidida pelo vereador Sílvio Humberto (PSB), para debater a saúde da população negra nos últimos 20 anos. A reunião contou com a participação de especialistas, órgãos públicos e representantes da sociedade civil, além da presença da vereadora Marta Rodrigues (PT), presidente do colegiado.

Histórico e contexto

A doutora em saúde pública Maria Inês Barbosa destacou o impacto do racismo estrutural na vida da população negra e a importância de políticas sociais consistentes. Segundo ela, a efetividade de medidas públicas depende da inserção de pessoas negras em espaços de decisão, com capacidade de orientar e transversalizar políticas.

O sanitarista e antropólogo Altair Lira ressaltou que, embora a política municipal de saúde da população negra tenha ganhado respaldo com o Estatuto da Igualdade Racial em 2010, ainda é tratada como algo recente. Ele lembrou que desde 1996 o movimento negro já indicava a relação entre saúde, condições socioeconômicas e pressões sociais, com reflexos em indicadores como desnutrição infantil, aborto, alcoolismo e doenças sexualmente transmissíveis.

Doença falciforme em foco

A diretora da Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme (Abadfal), Naianne Dias, relatou a necessidade de compreender a vida das pessoas afetadas para além do diagnóstico. Durante a audiência, a paciente Cândida questionou a ausência de dados sobre a velhice de indivíduos com doença falciforme, apontando falhas na preparação dos profissionais de saúde para o atendimento de adultos e idosos.

Encaminhamentos e desafios

O vereador Sílvio Humberto encerrou o debate defendendo investimentos em formação e financiamento por meio do Plano Plurianual (PPA), além da promoção contínua de escuta qualificada às demandas da comunidade. Segundo ele, a adoção de uma abordagem sistêmica e antirracista é fundamental para assegurar acesso integral e qualificado à saúde da população negra.

A mesa da audiência contou ainda com representantes da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), do Conselho Municipal das Comunidades Negras (CMCN), da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde na Bahia, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Conselho Municipal de Saúde e do Conselho Estadual de Assessoramento à Pessoa com Doença Falciforme.


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