O Agosto Laranja, iniciativa da organização não governamental Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), promove a conscientização sobre a esclerose múltipla, destacando a importância do diagnóstico precoce e do acesso contínuo ao tratamento. A campanha busca informar a população sobre a doença neurológica, crônica e autoimune, e estimular políticas públicas que garantam a qualidade de vida e dignidade de quem convive com a condição.
A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico ataca o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. Segundo dados do Ministério da Saúde com informações da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), aproximadamente 40 mil pessoas no Brasil possuem a doença.
O tratamento medicamentoso, de alto custo, tem o objetivo de retardar a progressão da incapacidade, reduzir a atividade da doença identificada em exames de imagem e diminuir a frequência e gravidade de episódios agudos de inflamação. Em março deste ano, farmácias de alto custo em Campinas (SP) registraram atrasos na distribuição do fumarato de dimetila, medicamento incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017. O remédio pode custar até R$ 5 mil em farmácias comuns, dificultando o acesso para pacientes fora do sistema público.
O presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), Raul Canal, alerta sobre os impactos do acesso irregular ao tratamento. Segundo ele, atrasos na dispensação, falta de previsibilidade e burocracia para renovação de laudos comprometem a continuidade do tratamento e aumentam o sofrimento dos pacientes. Canal destaca a necessidade de fortalecer a logística de distribuição e investir na digitalização de processos de solicitação e renovação de medicamentos.
O especialista enfatiza que é essencial ampliar a articulação entre estados, municípios e o Ministério da Saúde para que os pacientes não sejam penalizados pela fragmentação do sistema. O fornecimento contínuo e oportuno dos insumos é apontado como uma questão de dignidade e respeito aos direitos fundamentais.
Sobre a Anadem
Fundada em 1998, a Anadem atua na promoção de debates sobre o exercício da medicina e odontologia, oferecendo análises e propostas de soluções para áreas de interesse dos profissionais, especialmente no campo jurídico. A entidade também defende os direitos de pacientes em relação ao acesso adequado a tratamentos e medicamentos.


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