A 16ª edição do Prêmio Maria Felipa, promovida pela Câmara Municipal de Salvador, homenageou 26 mulheres negras na noite de sexta-feira (25/07/2025), durante solenidade realizada no Centro de Cultura. A atividade foi conduzida pela vereadora Ireuda Silva (Republicanos) e integrou as comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional da Mulher Negra.
Criado para reconhecer trajetórias de mulheres negras em diversos setores, o prêmio leva o nome de Maria Felipa de Oliveira, pescadora e líder na luta contra o domínio português na Ilha de Itaparica, em 1823. A homenageada histórica é símbolo de resistência e representa o legado de combate à opressão e à exclusão social.
Homenageadas de diferentes áreas e gerações
A edição de 2025 reuniu mulheres com atuações em política, comunicação, segurança pública, saúde mental e empreendedorismo. Entre as homenageadas estiveram as vereadoras Eliete Paraguassu (PSOL) e Isabela Souza (Cidadania), a jornalista Priscilla Pires (TV Aratu), a tenente-coronel Lutiane Ferreira (Corpo de Bombeiros), a psicóloga Dalila Garcez, a empresária Andrea Nascimento (Solar Gastronomia), e as jornalistas Manuela Rosa (Rádio Câmara) e Ana Portela (TV Câmara).
Durante os discursos, as homenageadas destacaram o reconhecimento público, a representatividade e a ancestralidade como fontes de fortalecimento, além de relatar experiências pessoais marcadas por desigualdades, superações e conquistas. A solenidade teve como foco central a valorização da resistência negra feminina.
Discurso e simbolismo
Ao discursar, a vereadora Ireuda Silva destacou a importância histórica e simbólica do prêmio, reforçando a necessidade de dar visibilidade a mulheres que, apesar da relevância de suas trajetórias, ainda enfrentam invisibilidade social e institucional. Segundo Ireuda, Maria Felipa representa uma liderança que utilizou a inteligência estratégica para lutar por liberdade, sem armas tradicionais, simbolizando uma forma alternativa e eficaz de resistência.
A vereadora enfatizou que o prêmio busca ressignificar o papel da mulher negra e combater o apagamento histórico, valorizando as “referências vivas” que seguem atuando nos territórios e espaços de poder.
Histórico do prêmio
Desde sua criação, o Prêmio Maria Felipa já homenageou figuras como a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a embaixadora de Gana no Brasil, Abena Busia, e a ativista Kenia Maria, reconhecida internacionalmente pela defesa dos direitos das mulheres negras.
Ao longo de 16 edições, o prêmio se consolidou como um instrumento de valorização da mulher negra como protagonista social, política e cultural na Bahia e no Brasil, reafirmando a centralidade da luta antirracista e de gênero nas políticas públicas e nos espaços institucionais.


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