Vereadores questionam contratação da FGV para revisão do Plano Diretor de Salvador

A publicação no Diário Oficial do Município na terça-feira (15/07/2025) da contratação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e atualização da Lei de Ordenamento do Uso do Solo (LDO) motivou questionamentos por parte da vereadora Aladilce Souza (PCdoB). No mesmo dia, a líder da Bancada da Oposição enviou o Ofício nº 130/2025 ao secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, João Xavier Nunes Filho, solicitando esclarecimentos sobre o processo.

Solicitação de transparência e participação social

Aladilce destacou que o processo de revisão do PDDU está atrasado e requer transparência plena, ampla participação da sociedade e controle institucional rigoroso. Com base na Lei Orgânica do Município e na Lei de Acesso à Informação, a vereadora pediu cópia integral do Termo de Referência e demais estudos técnicos preliminares que embasaram a contratação. Além disso, requisitou o cronograma detalhado das etapas da revisão e da atualização da lei, bem como a estratégia de participação social e audiências públicas previstas, com informações sobre metodologias, formas de convocação e canais de consulta.

O contrato com a FGV tem valor de R$ 3,6 milhões, sem especificação de prazos para execução.

Impacto esperado da revisão do PDDU

Aladilce enfatizou que o novo plano deve contribuir para reduzir desigualdades socioespaciais, enfrentar os impactos das mudanças climáticas e orientar o desenvolvimento urbano sustentável de Salvador nos próximos dez anos, focando em inclusão, infraestrutura e geração de emprego. Ela lembrou que o PDDU vigente foi aprovado em 2016 e deveria ter sido revisado em até oito anos, conforme legislação.

No ofício, a vereadora colocou seu mandato à disposição para colaborar no processo e reforçou a importância da atuação fiscalizadora do Legislativo.

Críticas de Hamilton Assis à contratação sem licitação

O vereador Hamilton Assis (PSOL) também manifestou preocupação com a contratação da FGV por dispensa de licitação, conforme publicação no Diário Oficial. Ele questiona a legalidade, transparência e justificativa técnica do processo, ressaltando que Salvador está sem Conselho da Cidade em funcionamento, o que configura ausência ilegal de consulta prévia ao órgão conforme o Estatuto da Cidade.

Assis criticou a falta de diálogo com a população e a Prefeitura, que não forneceu documentos básicos como o Termo de Referência e estudos técnicos anteriores, apesar de solicitações desde janeiro. Para ele, o processo fere os princípios constitucionais de legalidade, publicidade e participação popular.

Apoio de Hilton Coelho às críticas

O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apoiou as críticas, destacando que a participação popular deve ser o ponto de partida para o trabalho técnico e não uma mera legitimação dos resultados impostos por consultorias. Ele defende que o planejamento urbano deve compatibilizar as demandas populares com os aspectos técnicos.

Falta de parceria local e financiamento

Hamilton Assis ainda destacou que não houve parceria com universidades ou entidades de classe locais, o que dificultaria a democratização do debate e o controle social. Ele apontou que o contrato será custeado com recursos do Tesouro Municipal e verbas da Outorga Onerosa do Direito de Construir (ODC), vinculadas à Secretaria de Desenvolvimento Urbano. O vereador criticou a escolha da FGV, instituição externa à Bahia, sem concorrência pública, em detrimento das instituições locais especializadas.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading