A Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) da Bahia, promoveu a 4ª edição do evento “Julho das Mulheres Negras – Vozes que ecoam, tecendo futuros possíveis”. Realizada na Biblioteca Pública da Bahia, em Salvador, a atividade integra a campanha nacional Julho das Pretas, com foco na valorização da mulher negra no sistema socioeducativo.
Evento marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
A ação foi motivada pela celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Brasileira, comemorado em (25/07). A data foi instituída a partir do 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em (25/07/1992) na República Dominicana, e tem como objetivo reconhecer a resistência e a contribuição histórica das mulheres negras na sociedade.
Programação incluiu apresentações culturais e mesas de debate
O evento contou com a apresentação da Banda Yayá Muxima, formada por mulheres negras, seguida por duas mesas de debate com a participação de profissionais da Fundac, especialistas e ativistas. As discussões abordaram temas como identidade, ancestralidade, desigualdade social, arte-educação e protagonismo feminino.
Na primeira mesa, com o tema “Habilidades da vida como projeto político: O saber das Mulheres Negras na Transformação do Mundo”, participaram a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da SJDH, Hildete Emanuele, e a gerente da Case Feminina, Rosemeire Araújo, sob mediação da biomédica Thainara Pitta. O debate destacou a educação como ferramenta de transformação social.
Na segunda mesa, o tema foi “Habilidades para Viver: Mulheres Negras, autonomia e o projeto de mundo que estamos construindo”, mediada pela multiartista Gabriela Cabral, com participação da conferencista Madalena Maria, da musicista Carine Alves, ex-educanda do Projeto Axé, e da sambadeira Verônica Mucúna, do grupo As Ganhadeiras de Itapuã. As palestrantes enfatizaram o papel da arte-educação na promoção da cidadania e na construção de um novo olhar social.
Gestoras destacam papel das mulheres negras no sistema socioeducativo
A diretora da Fundac, Regina Affonso, afirmou que o evento é parte de uma ação integrada em todas as unidades da fundação. Segundo ela, a iniciativa busca fortalecer o reconhecimento da história e do papel das mulheres negras na construção da sociedade, especialmente no contexto das famílias e dos adolescentes atendidos pela instituição.
A diretora de Bibliotecas Públicas da Bahia, Tamires Neves, também reforçou a importância do diálogo institucional sobre racismo e identidade. Para ela, a gestão pública deve atuar na promoção de ações que valorizem a mulher negra e incentivem a ocupação de espaços de decisão e representação.


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