O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou um guia detalhado sobre os riscos à saúde e ao meio ambiente causados pelos microplásticos, como parte das ações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. O documento destaca a presença dessas partículas em diversos ecossistemas e em produtos de uso cotidiano.
Estima-se que 2,7 milhões de toneladas de microplásticos foram lançadas no meio ambiente em 2020, número que pode dobrar até 2040. As partículas são encontradas em águas doces e salgadas, solos agrícolas e no ar, além de serem detectadas no corpo humano por ingestão e inalação. Algumas pesquisas apontam a possibilidade de penetração dos nanoplásticos pela pele, embora ainda faltem conclusões definitivas.
Os microplásticos são definidos como fragmentos plásticos com tamanho entre 1 nanômetro e 5 milímetros. Existem dois tipos principais: os primários, criados para serem pequenos, como os utilizados em produtos de higiene pessoal; e os secundários, que se originam da degradação de plásticos maiores, como embalagens, roupas sintéticas, tintas, pneus e gramados artificiais.
O Pnuma informa que os microplásticos estão amplamente dispersos no planeta. As partículas entram no meio ambiente por meio de lavagem de roupas, descarte inadequado de resíduos plásticos e uso de produtos com microplásticos incorporados. Uma vez liberados, podem viajar através do solo, da água, do gelo e do ar, atingindo diferentes partes da cadeia alimentar.
Estudos mostram que microplásticos foram encontrados em tecidos humanos, inclusive nas paredes das artérias, e que adultos podem consumir até 52 mil partículas por ano, dependendo da exposição. O impacto sobre a saúde humana ainda está sendo avaliado, mas os especialistas alertam para potenciais efeitos adversos.
Além da saúde humana, os microplásticos afetam a fauna, a flora e os sistemas climáticos. Pesquisas apontam que essas partículas prejudicam o crescimento de fitoplâncton, base das cadeias alimentares aquáticas, e reduzem a fertilidade do solo agrícola. Também foram associadas à aceleração do derretimento do gelo e da neve em regiões polares, contribuindo para o aquecimento global.
A ONU propõe ações urgentes para mitigar a poluição por microplásticos, incluindo a eliminação de seu uso desnecessário em produtos, o redesenho de materiais para minimizar a liberação de partículas, e o reforço dos sistemas de coleta e reciclagem. Neste contexto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu agilidade na formulação de um tratado internacional juridicamente vinculante para combater a poluição plástica.
As negociações para esse tratado devem ser retomadas em agosto, em Genebra, Suíça, após um impasse na rodada anterior. Atualmente, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente, sendo que metade é de uso único. Segundo a ONU, 200 milhões de toneladas correspondem a plásticos descartáveis.
*Com informações da ONU News.


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