O espetáculo “Filipa”, premiado pelo 12º Prêmio Ordem do Mérito Cultural da Diversidade LGBT+ do Grupo Gay da Bahia, narra a trajetória de Filipa de Sousa, mulher condenada pela Inquisição na Bahia, em 1592, por manter relações amorosas com outras mulheres. A montagem, realizada pelo grupo A Panacéia, busca refletir sobre a perseguição histórica à homoafetividade feminina.
As apresentações acontecem de sexta (06/06/2025) a domingo (08/06/2025), sempre às 19 horas.
Enredo baseado em registros históricos
Com texto de Camila Guilera e direção de Elisa Mendes, que também atua na peça, o espetáculo traz à cena a história de uma mulher que não negou sua identidade, sendo por isso condenada pela Inquisição na Bahia.
De acordo com registros históricos, Filipa de Sousa admitiu manter relações afetivas e sexuais com outras mulheres, o que resultou em sua humilhação pública, sessões de açoitamento e posterior degredo de Salvador.
“Filipa não se arrepende da sua existência. Ela compreende que era livre em pensamento e alma, apesar das punições impostas pela sociedade da época”, explicou a diretora Elisa Mendes.
Não há informações sobre o destino de Filipa após sua expulsão do território baiano, fato que permanece sem registro oficial.
Percurso da montagem nos palcos baianos
O espetáculo já foi apresentado em diferentes espaços culturais, como os Espaços Boca de Brasa de Cajazeiras e Subúrbio Ferroviário, além da Sala do Coro do Teatro Castro Alves e do Teatro Gregório de Mattos, ampliando seu alcance para diversos públicos.
“Nossa proposta é revisitar a história, dar visibilidade às mulheres que enfrentaram estruturas opressoras e provocar reflexão sobre direitos e liberdades na contemporaneidade”, destacou Camila Guilera.
Sobre o grupo A Panacéia
Fundado em 2008, o grupo A Panacéia é composto exclusivamente por mulheres que ocupam todas as funções dos espetáculos, desde a criação até a execução técnica.
O coletivo estreou sua primeira montagem em 2010, com o espetáculo “Dorotéia”, texto de Nelson Rodrigues, recebendo o Prêmio por Inovação e Criatividade no festival TeatranlyKoufar, na Bielorrússia.
Nos anos seguintes, aprofundou sua pesquisa sobre mulheres na história, resultando nas produções “EU PAGU”, “Filipa”, “200+1 – As Heroínas da Independência” e “Meninas Contam a Independência”.


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