O grupo de teatro feminista A Panacéia volta a cartaz em Salvador com duas peças de seu repertório: “Filipa” e “Meninas Contam a Independência”. O primeiro espetáculo apresenta a história de Filipa de Sousa, mulher condenada pela Inquisição na Bahia, em 1592, por se relacionar com outras mulheres. A segunda montagem, voltada para o público infantil, explora a participação feminina na Independência da Bahia por meio de um jogo teatral interativo. As apresentações ocorrem de quinta-feira (27/03/2025) a domingo (30/03), no Cineteatro na quarta -feira ( 02/07), com ingressos disponíveis no Sympla.
Representatividade e resgate histórico
“Filipa” é um dos espetáculos de destaque do grupo A Panacéia, tendo recebido reconhecimento pelo 12º Prêmio Ordem do Mérito Cultural da Diversidade LGBT+ do Grupo Gay da Bahia. A montagem reconstrói a trajetória de Filipa de Sousa, que, após confessar envolvimento afetivo e sexual com mulheres, foi humilhada, açoitada publicamente e degredada pela Inquisição. O texto é assinado por Camila Guilera e Elisa Mendes, sendo esta última também diretora da obra.
Camila Guilera, que interpreta a personagem-título, destaca o caráter especulativo da narrativa: “Não se sabe o paradeiro de Filipa após ser expulsa de Salvador, por isso escolhemos o teatro para recriar sua história, explorando seus pensamentos e anseios”. A montagem já foi apresentada nos Espaços Boca de Brasa, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e no Teatro Gregório de Mattos.
Peça infantil promove educação histórica
O grupo também leva aos palcos a peça infantil “Meninas Contam a Independência”, na qual duas atrizes encontram um jogo de tabuleiro misterioso e embarcam em uma jornada sobre o papel das mulheres na Independência da Bahia. O espetáculo apresenta figuras históricas como Joana Angélica, Maria Felipa, Maria Quitéria e Urânia Vanério.
A trama é conduzida por Ana Luisa Fidalgo e Márcia Limma, com a participação da atriz mirim Marina Fidalgo, de nove anos, que interpreta Urânia Vanério e conduz a narrativa do jogo. Urânia, com apenas dez anos de idade, escreveu, em 1822, o panfleto “Lamentos de uma Baiana”, um dos documentos mais radicais do movimento pró-independência.
Grupo A Panacéia e sua trajetória
Criado em 2008, A Panacéia busca contar histórias de mulheres que foram silenciadas. Seu primeiro espetáculo, “Dorotéia”, venceu o Prêmio por Inovação e Criatividade no festival Teatranly Koufar, na Bielorrússia. Entre 2012 e 2015, o grupo desenvolveu o projeto “A Face Oculta da Lua”, que resultou em três montagens: “Lua Crescente” (2013), “Lua Caída” (2013) e “Lua Cheia” (2015). Em 2019, aprofundou-se na pesquisa sobre mulheres na história, resultando nos espetáculos “Filipa”, “200+1 – As Heroínas da Independência” e “Meninas Contam a Independência”.


Deixe um comentário