A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou, nesta terça-feira (21/05/2025), o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2024. O levantamento registra 144 casos de agressões contra jornalistas no país ao longo do último ano, número que representa uma queda de 20,44% em relação a 2023, quando foram contabilizados 181 casos. Apesar da redução, a Fenaj considera o cenário ainda preocupante.
Segundo a entidade, o número atual é o menor desde 2018, mas permanece acima do registrado naquele ano, quando houve 135 ocorrências. Para a presidente da Fenaj, Samira de Castro, o índice continua alto e reflete um padrão de violência que se consolidou a partir de 2019, período em que, segundo ela, a agressão à imprensa se tornou institucionalizada durante o governo de Jair Bolsonaro.
Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Samira destacou que a retórica do governo anterior contribuiu para um ambiente hostil aos jornalistas, com ataques diretos à imprensa e incentivo à descredibilização de profissionais da comunicação. A dirigente também reforçou que a prática de agredir jornalistas ultrapassa críticas ao trabalho da imprensa, envolvendo ameaças, intimidações e ações judiciais abusivas.
Crescimento do assédio judicial e da censura preocupa a Fenaj
Entre os tipos de violência registrados, o relatório aponta como tendência preocupante o crescimento proporcional do assédio judicial, que passou a representar 15,97% dos casos em 2024, ante 13,81% no ano anterior, com 23 registros. A Fenaj explica que a substituição da nomenclatura “cerceamento por meio de ação judicial” por “assédio judicial” visa evidenciar o caráter sistemático e intimidador dessas ações.
Os casos de censura também aumentaram 120%, saltando de cinco para 11 ocorrências, principalmente em decorrência de decisões judiciais e pressões de agentes públicos. Já as agressões físicas caíram 25%, de 40 para 30 episódios, embora a federação alerte que esses casos ainda envolvem tentativas de homicídio e uso de armas de fogo.
As ameaças e intimidações somaram 35 registros (24,31% do total), número praticamente estável em comparação ao ano anterior.
Eleições de 2024 concentram maior número de ataques
O relatório indica que 38,9% dos ataques ocorreram durante o período eleitoral de 2024, entre maio e outubro, com julho sendo o mês com maior número de registros. A Fenaj atribui o aumento ao acirramento do discurso de ódio, especialmente impulsionado por grupos de extrema direita.
Sudeste lidera ocorrências; Centro-Oeste tem maior queda
A Região Sudeste foi a mais violenta para jornalistas em 2024, com 38 ocorrências (26,39%), seguida pelo Nordeste, com 36 casos (25%). O Sul registrou 31 episódios, enquanto o Norte apresentou crescimento, passando de 19 para 22 registros. A maior redução foi observada no Centro-Oeste, onde os casos caíram de 40 para 17, embora a Fenaj ressalte a possibilidade de subnotificação.
São Paulo lidera entre os estados, com 23 casos, seguido pela Bahia, com nove registros, e Alagoas e Paraíba, com seis cada. O Paraná teve aumento significativo, subindo de 11 para 15 episódios.
Políticos lideram ranking de agressores
De acordo com o relatório, políticos estiveram envolvidos em 48 casos de agressão, representando 33,33% do total. Os ataques incluem agressões físicas, verbais, tentativas de censura e assédio judicial. Também foram identificados agressores entre apoiadores políticos (cinco casos), manifestantes de extrema direita (seis) e servidores públicos (nove).
*Com informações da Agência Brasil.


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