A equipe da Arqueólogos Pesquisa e Consultoria Arqueológica identificou os primeiros indícios de um sítio arqueológico no estacionamento do Conjunto da Pupileira, em Salvador. Os fragmentos encontrados, como pedaços de porcelanas e objetos antigos, podem estar associados ao antigo cemitério de escravizados do Campo da Pólvora, supostamente localizado naquela área.
As escavações fazem parte do projeto “Levantamento Arqueológico na Área do Antigo Cemitério do Campo da Pólvora”, iniciado após pesquisas históricas documentais conduzidas pela arquiteta urbanista e doutoranda Silvana Olivieri, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que identificaram registros da existência do cemitério.
Avanço das escavações
De acordo com a arqueóloga Jeanne Dias, coordenadora do projeto, o trabalho segue após um período de chuvas que deixou o solo encharcado e dificultou o avanço das escavações. Com a melhoria das condições climáticas, a equipe iniciou a remoção das camadas superficiais recentes com o objetivo de alcançar as camadas arqueológicas mais profundas, onde podem estar vestígios humanos e materiais do antigo cemitério.
“Nosso objetivo é localizar vestígios remanescentes ósseos dos antigos escravizados e de outras pessoas que foram enterradas nessa antiga área da cidade”, declarou Jeanne Dias.
Os fragmentos encontrados até o momento são compatíveis com materiais do século 19, período correspondente ao funcionamento do cemitério.
Autorização e acompanhamento
A execução do projeto foi autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com a concordância da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, responsável pela área onde está localizado o Conjunto da Pupileira. Técnicos do IPHAN acompanham as atividades da equipe arqueológica para garantir o cumprimento das normas de preservação patrimonial.
O objetivo do levantamento é confirmar a presença do cemitério e, se comprovada, estabelecer diretrizes para a preservação da memória histórica e possíveis desdobramentos museológicos ou educativos. O estudo também pode contribuir para a valorização da história da população negra em Salvador, especialmente no que se refere à escravidão e aos processos de urbanização da cidade.


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