Um tratamento realizado no Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, será apresentado no 15º Congresso da Sociedade Europeia de Laringologia (ELS), que ocorre entre os dias 8 e 10 de maio, em Varsóvia, na Polônia. O estudo será exposto pela otorrinolaringologista Érica Campos, que coordena a aplicação do medicamento Bevacizumabe em crianças diagnosticadas com Papilomatose Laríngea Recorrente (PLR).
A PLR é uma doença rara de origem viral, causada pelo HPV, caracterizada pelo surgimento de tumores benignos nas vias aéreas. Em casos graves, pode provocar obstrução do canal respiratório e levar ao óbito se não tratada adequadamente. A iniciativa do HEC representa uma alternativa à necessidade de múltiplas cirurgias anuais — em alguns casos, até 15 intervenções por paciente — para manter as vias aéreas desobstruídas.
Segundo Érica Campos, o uso do imunobiológico Bevacizumabe, medicamento de alto custo, tem sido possível graças ao financiamento do Governo do Estado da Bahia. A especialista vai apresentar os resultados clínicos obtidos com a terapia no Sistema Único de Saúde (SUS) durante o congresso, considerado uma das principais plataformas científicas de laringologia da Europa.
A escolha do HEC para o tratamento está associada à estrutura técnica disponível na unidade, que inclui infraestrutura hospitalar especializada, equipe multidisciplinar treinada e um centro de oncologia pediátrica equipado, apto para o manejo seguro do imunobiológico. O hospital é referência para os 417 municípios baianos, com foco nos 72 da macrorregião centro-leste, e mantém desde 2013 um serviço de oncologia pediátrica que realizou, apenas em 2024, mais de 4.700 atendimentos.
O Hospital Estadual da Criança integra a rede pública da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e está sob gestão da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil desde 2015. A unidade funciona 24 horas por dia, oferecendo atendimento emergencial pediátrico e obstétrico, internações, serviços diagnósticos, especialidades médicas e participa de atividades de ensino e pesquisa.
A médica Érica Campos, responsável pela apresentação no congresso, é membro titular da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e Full Member da IATVS (International Association of TransVoice Surgeons). Ela destaca que a participação no evento reforça a importância do investimento em tratamentos inovadores no SUS, além de permitir a troca científica internacional sobre doenças raras.


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