O número de casos de doenças autoimunes tem aumentado mundialmente, impulsionado por fatores ligados ao estilo de vida contemporâneo. Distúrbios como esclerose múltipla, lúpus, artrite reumatoide, doença de Crohn e síndrome de Guillain-Barré estão entre os mais recorrentes. Especialistas alertam que o crescimento da prevalência está relacionado a hábitos diários, exposições ambientais e características hormonais, principalmente entre mulheres.
Uma revisão científica internacional intitulada “A crescente prevalência de autoimunidade e doenças autoimunes: um apelo urgente à ação” estima que a incidência global dessas doenças aumenta em média 19,1% ao ano, com prevalência média de 12,5% da população mundial. O levantamento chama atenção para a necessidade de ações coordenadas para diagnóstico, tratamento e prevenção.
Segundo o neurologista Thiago Junqueira, fatores como estresse crônico, dieta baseada em alimentos ultraprocessados, sedentarismo e poluição ambiental estão entre os principais responsáveis pela desregulação do sistema imunológico. O especialista observa que o estilo de vida moderno favorece respostas inflamatórias persistentes, que podem levar à autoagressão do organismo.
Mulheres representam 80% dos casos de doenças autoimunes, segundo pesquisas científicas. O estudo “Doenças autoimunes em mulheres: transições endócrinas e risco ao longo da vida”, publicado no Journal of the Endocrine Society, demonstra que puberdade, gravidez e menopausa alteram a regulação do sistema imunológico feminino, favorecendo a manifestação de respostas autorreativas.
O ambiente urbano também exerce influência relevante. Especialistas destacam que cidades com alta densidade populacional e níveis elevados de poluição aumentam a exposição a partículas tóxicas e estressores ambientais, o que favorece inflamações crônicas e o desenvolvimento de doenças autoimunes. Segundo o Dr. Thiago Junqueira, “o estilo de vida nas grandes cidades tende a aumentar os riscos imunológicos”.
Em 31 de maio, será celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, o que impulsiona a mobilização por informação e conscientização sobre essa condição. A esclerose múltipla é uma doença autoimune do sistema nervoso central, que pode comprometer funções motoras, visuais e cognitivas. O diagnóstico precoce e o tratamento especializado são essenciais para preservar a funcionalidade do paciente.
Apesar da disponibilidade de medicamentos imunomoduladores e imunossupressores, o tratamento das doenças autoimunes também exige mudanças no estilo de vida. Hábitos como alimentação equilibrada, prática de atividade física regular, controle do estresse e sono adequado são considerados fundamentais na redução da atividade inflamatória e no controle de sintomas crônicos.
De acordo com o neurologista, intervenções no estilo de vida podem representar diferença significativa na qualidade de vida dos pacientes.
“Além da medicação, é preciso incorporar estratégias sustentáveis de saúde cotidiana, com foco em prevenção, controle e remissão”, afirma Thiago Junqueira.


Deixe um comentário