A campanha Maio Amarelo 2025, sob o tema “Mobilidade Humana, Responsabilidade Humana”, chama atenção para a incidência de acidentes de trânsito no Brasil e, especialmente, na Bahia, estado que permanece entre os líderes em número de mortes em rodovias federais. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que, em 2024, foram 73.156 sinistros registrados em todo o país, resultando em 6.160 mortes e 84.526 feridos. Na Bahia, 614 pessoas morreram em rodovias federais, número que representa uma das maiores concentrações de vítimas fatais no país.
Os impactos dessa realidade são sentidos diretamente no sistema de saúde do estado. O Hospital Mater Dei Emec (HMDE), em Feira de Santana, referência em traumatologia de alta complexidade, registra um alto número de atendimentos a vítimas de colisões, especialmente envolvendo motociclistas. Segundo Nivaldo Cardozo, coordenador de Ortopedia e Traumatologia do HMDE e do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), os quadros mais comuns incluem fraturas expostas, traumas na coluna vertebral e lesões cranianas graves.
De acordo com o médico, a faixa etária mais atingida compreende jovens adultos em idade produtiva, o que agrava o impacto social dos acidentes.
“Mesmo sem fatalidade, muitos enfrentam consequências físicas permanentes que comprometem sua rotina pessoal e profissional”, afirmou.
Além das perdas humanas, os acidentes impõem custos significativos ao país. Segundo o Ministério da Saúde, o impacto financeiro anual gira em torno de R$ 50 bilhões, abrangendo desde o atendimento emergencial e internações até custos previdenciários e perdas econômicas por afastamentos do trabalho.
Do ponto de vista psicológico, o cenário também é alarmante. A Associação Brasileira de Psicologia do Trânsito estima que cerca de 40% das vítimas sobreviventes desenvolvem quadros de ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ampliando a carga para os sistemas de saúde e assistência social.
A fiscalização nas rodovias evidencia comportamentos de risco frequentes. Em 2024, somente na Bahia, a PRF emitiu 233.100 autuações por excesso de velocidade. Além disso, 3.855 sinistros no Brasil foram diretamente associados ao consumo de álcool, resultando em 194 mortes e mais de 3.100 feridos.
“O álcool no trânsito continua sendo um fator decisivo para a ocorrência de sinistros fatais. Mesmo com campanhas, fiscalização e legislação, ainda enfrentamos condutores que assumem riscos desnecessários”, observou Cardozo.
Com o lema “Desacelere, seu bem maior é a vida!”, a campanha Maio Amarelo 2025 busca fortalecer a conscientização coletiva sobre o papel de cada cidadão na segurança viária, ressaltando que pedestres, ciclistas, motoristas e motociclistas compartilham as mesmas vias e responsabilidades.
Cardozo destaca que ações simples, como o uso de cinto de segurança, capacete, não manusear o celular ao volante e obedecer aos limites de velocidade, são fundamentais para reduzir os índices de sinistros e preservar vidas.
“Mais do que seguir regras, trata-se de respeitar o outro. Cada escolha consciente contribui para um trânsito mais seguro”, concluiu.


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