Surtos de doenças imunopreveníveis, como sarampo, febre amarela, meningite e difteria, estão crescendo globalmente, segundo alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência aponta que a redução da cobertura vacinal, impulsionada por cortes orçamentários e disseminação de desinformação, compromete avanços obtidos nas últimas décadas na prevenção de enfermidades infecciosas.
Sarampo registra alta de casos pelo terceiro ano consecutivo
A recorrência de surtos de sarampo é um dos principais indicadores da crise na vacinação. De acordo com a OMS, em 2023 foram registrados mais de 10,3 milhões de casos, representando um aumento de 20% em relação a 2022. A tendência de crescimento se mantém em 2025, com 138 países relatando infecções nos últimos 12 meses, sendo 61 deles com surtos de grande escala.
A diminuição da cobertura vacinal desde a pandemia de Covid-19 é apontada como causa direta da retomada do sarampo. Comunidades com acesso reduzido a serviços de saúde e campanhas de imunização interrompidas ou descontinuadas são as mais afetadas.
Febre amarela e meningite também preocupam autoridades sanitárias
A febre amarela, que havia recuado na África após campanhas de imunização nos anos anteriores, registrou 124 casos confirmados em 12 países africanos em 2025. Nas Américas, foram 131 casos distribuídos em quatro países, conforme dados atualizados da OMS.
Outro sinal de alerta é o aumento da meningite, especialmente no continente africano. Entre janeiro e março de 2025, foram notificados mais de 5,5 mil casos suspeitos e cerca de 300 mortes em 22 países. Especialistas apontam que os números superam os de anos anteriores e refletem falhas na manutenção dos estoques de vacinas e no monitoramento epidemiológico.
Doenças controladas como difteria voltam a circular
A difteria, anteriormente controlada em diversos territórios, volta a apresentar risco de surtos. A OMS destaca que a redução nas taxas de vacinação infantil e as interrupções nos programas de imunização de rotina favorecem a reintrodução de doenças eliminadas em muitas regiões.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou que os surtos representam uma ameaça crescente à saúde pública global e geram custos elevados aos sistemas de saúde. Segundo ele, os países com recursos limitados devem priorizar as vacinas como estratégia de alto impacto, tanto em termos de prevenção quanto de custo-benefício.
Desinformação e financiamento insuficiente dificultam imunização
Além da escassez de recursos, os esforços globais de imunização enfrentam resistência crescente devido à desinformação, especialmente em contextos onde o acesso a informações confiáveis é limitado. A propagação de conteúdos falsos sobre vacinas tem impactado a confiança da população e dificultado campanhas de vacinação.
Uma revisão da OMS realizada em abril com 108 países identificou que cerca de metade deles enfrenta interrupções moderadas ou graves nos programas de vacinação e cadeias de suprimento. O cenário é agravado pela diminuição do apoio financeiro internacional e pelas consequências de conflitos armados e crises humanitárias.
A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, alertou que, devido à crise de financiamento, mais de 15 milhões de crianças em países frágeis não estão recebendo a vacina contra o sarampo. A falta de cobertura adequada nessas regiões coloca em risco não apenas as crianças diretamente afetadas, mas também compromete a imunidade coletiva globalmente.
Investimento em vacinação gera retorno econômico
Estudos citados por agências da ONU indicam que a vacinação é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes do ponto de vista econômico. Para cada dólar investido, estima-se um retorno de US$ 54 em ganhos relacionados à saúde e produtividade. Ainda assim, os programas de vacinação permanecem vulneráveis a cortes orçamentários e desafios logísticos.
* Com informações Nações Unidas.
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