Desde a erradicação da poliomielite no Brasil em 1989, a preocupação com a reintrodução da doença tem sido uma constante. Recentemente, o país tem enfrentado desafios crescentes devido à queda na cobertura vacinal, o que abre espaço para a circulação do vírus poliovírus. Com países como Paquistão e Afeganistão ainda endêmicos para a doença, e o registro de casos no Peru, a apenas 500 quilômetros da fronteira com o Acre, o alerta é claro: a vacinação é essencial para proteger as crianças brasileiras.
A cobertura vacinal para poliomielite no Brasil mostrou melhora nos últimos anos, mas ainda há desafios significativos. Em 2023, a cobertura atingiu 84,6% para crianças menores de um ano, porém, manter esse nível é crucial para evitar surtos da doença. O Ministério da Saúde, através do Programa Nacional de Imunizações, reforça a importância das três doses da vacina injetável e das duas doses de reforço com a vacina oral, garantindo proteção vitalícia contra a poliomielite.
Victor Bertollo, infectologista da Subsecretaria de Vigilância à Saúde do Distrito Federal, alerta para a persistência do poliovírus em regiões onde a cobertura vacinal é baixa, resultando na reversão do vírus vacinal para uma forma agressiva. Esse fenômeno tem sido observado em partes da África Subsaariana, onde condições sanitárias precárias favorecem a transmissão viral.
Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, destaca que embora a poliomielite não faça mais parte do cenário epidemiológico brasileiro há décadas, a vigilância e a vacinação contínua são fundamentais. Ele reforça o chamado aos pais e responsáveis para que mantenham as vacinas das crianças em dia, seguindo rigorosamente o calendário nacional e participando das campanhas de vacinação.
Com a vacinação adequada, o Brasil pode manter a poliomielite fora de suas fronteiras, protegendo as crianças e preservando as conquistas históricas na saúde pública.


Deixe um comentário