Na noite da Quinta-feira Santa, 17 de abril de 2025, o cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica de São Pedro, presidiu a tradicional Missa da Ceia do Senhor no Vaticano. A celebração incluiu o rito do Lava-Pés e foi concelebrada pelo secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.
Durante a homilia, Gambetti afirmou que “a verdadeira e definitiva Páscoa que Jesus celebra se realiza num contexto de provação”, fazendo referência direta à traição de Judas e à realidade de sofrimento enfrentada por muitos. O purpurado ressaltou que “as guerras são resultado do declínio, da concretização dos conflitos e do mal que há no mundo”.
O dinamismo da proximidade e o poder de servir
A homilia proferida pelo cardeal abordou a fragilidade humana dos discípulos, reunidos por Cristo no cenáculo, e destacou o valor do acolhimento e da partilha como expressões do amor sacerdotal de Jesus. Segundo Gambetti, o grupo ao redor de Cristo é um retrato da humanidade, repleto de contradições e desejos de glória, mas também sede de paz e justiça.
“Jesus deseja ardentemente alimentar a intimidade do lar, a amizade do cenáculo, a fraternidade da assembleia eclesial. Ele quer comer com os seus e celebrar a Páscoa com eles”, afirmou o arcipreste.
A crítica à mercantilização da fé e à indiferença global
Durante sua reflexão, o cardeal criticou a lógica utilitarista que contamina as relações humanas, inclusive no âmbito religioso. Disse que “o mundo nos vende, como Judas fez com Jesus, quando buscamos glória ou poder usando a religião como meio”.
Além disso, mencionou a falta de compaixão com os marginalizados, os migrantes e o meio ambiente, reforçando que o abandono de valores fundamentais compromete a dignidade das pessoas e das instituições.
O sacerdócio de Cristo e o testemunho do amor
Gambetti sublinhou que o coração de Jesus é um coração sacerdotal, que se manifesta no ato de lavar os pés, na humildade e no serviço. Essa dimensão foi simbolizada pelo gesto litúrgico em que o cardeal lavou os pés de leigos que atuam na Basílica Vaticana.
“Ele vive o dinamismo da proximidade, da reciprocidade, dos verbos doar e receber. O único sacerdócio que interessa a Jesus é o do amor”, destacou.
O arcipreste ainda recordou o exemplo do padre Giuseppe Berardelli, falecido durante a pandemia da Covid-19, ao renunciar ao uso de um respirador para salvar outra vida, como expressão do dom radical de si pelo bem do próximo.
Igreja chamada a viver sua vocação sacerdotal
Concluindo sua homilia, o cardeal Gambetti apontou que a Igreja deve abrir-se a um novo tempo, em que cada fiel é chamado a tornar-se eucaristia viva:
“A novidade vem da Eucaristia. É preciso fazer como Jesus fez e revelar, com a vida, a humanidade divina que o Batismo nos conferiu.”
Celebração conclui com procissão e adoração ao Santíssimo
A missa foi encerrada com a procissão do Santíssimo Sacramento, conduzida pelo cardeal Gambetti até a capela da Basílica preparada para a adoração. O rito foi acompanhado pelo canto do “Pange língua”, entoado pela Cappella Giulia, tradicional coral litúrgico do Vaticano.
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