Cresce o contrabando de canetas Mounjaro no Brasil e especialistas alertam para riscos à saúde pública

O aumento do transporte irregular da caneta Mounjaro, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2, tem despertado atenção das autoridades sanitárias e aeroportuárias brasileiras. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento em 2023, e o produto tem previsão de início de comercialização regular no Brasil a partir de sábado (07/07/2025). Entretanto, sua entrada antecipada por meio de contrabando tem se intensificado nos aeroportos internacionais do país.

Segundo relatos da Receita Federal, os dispositivos estão sendo trazidos por passageiros em voos internacionais, camuflados como canetas escolares ou escondidos sob as roupas, inclusive em vestimentas íntimas. Essa prática viola a legislação sanitária e expõe os usuários a riscos diretos, uma vez que o transporte inadequado pode comprometer a estabilidade do medicamento.

O Mounjaro é um medicamento biológico que exige armazenamento entre 2°C e 8°C, sendo considerado um insumo de cadeia fria. Quando exposto a temperaturas inadequadas, o fármaco pode perder sua eficácia e, em alguns casos, provocar reações adversas. Esse fator é especialmente preocupante em contextos onde não há controle térmico durante o transporte clandestino, o que compromete a qualidade e a segurança do produto.

Para Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, empresa especializada em logística de medicamentos sensíveis à temperatura, a quebra da cadeia de frio representa um risco concreto à saúde pública. “A exposição fora da faixa térmica recomendada pode degradar a substância ativa e comprometer o tratamento. Quando armazenado inadequadamente, o medicamento pode perder sua funcionalidade e oferecer efeitos colaterais inesperados”, explica.

O medicamento, cujo princípio ativo é o tirzepatida, age sobre hormônios relacionados à regulação da glicose e do apetite, e tem sido também utilizado, de forma off-label, como auxílio em estratégias de perda de peso. O uso fora das indicações autorizadas é uma prática não recomendada e deve ser sempre acompanhado por um profissional habilitado.

A Anvisa reforça que qualquer medicamento importado sem prescrição e sem condições adequadas de transporte configura infração sanitária e pode ser apreendido pelas autoridades competentes. Além disso, o comércio paralelo desses produtos é passível de responsabilização civil e criminal, incluindo penalidades previstas no Código Penal e na Lei de Vigilância Sanitária.

A agência reguladora também alerta para o risco de adulteração ou falsificação de produtos transportados ilegalmente. A ausência de rastreabilidade e de verificação de procedência dificulta a identificação de lotes comprometidos e prejudica ações de farmacovigilância, essenciais para a segurança dos pacientes.

O aumento da demanda por medicamentos voltados ao controle de peso, aliado à demora na chegada do Mounjaro às farmácias, tem impulsionado práticas de importação ilegal. Especialistas defendem que a comunicação institucional e a fiscalização devem ser intensificadas, com foco na educação da população sobre os riscos da automedicação e do consumo de produtos sem controle sanitário.


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